As alterações no modelo de financiamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), aprovadas após a liquidação do Banco Master, tendem a produzir efeito contábil moderado sobre os principais bancos brasileiros em 2026, segundo análise do Citigroup. A avaliação considera o impacto das novas exigências de contribuição extraordinária e de antecipação de aportes ao fundo.
De acordo com relatório assinado por Gustavo Schroden e equipe, o novo arranjo prevê que as instituições financeiras antecipem 84 meses de contribuições ordinárias, equivalentes a 1 ponto-base dos depósitos elegíveis. O modelo analisado considera a possibilidade de adiantamento imediato de 60 meses já em 2026, seguido por parcelas adicionais de 12 meses em 2027 e 2028. Além disso, foi mencionada contribuição extraordinária anual de 6 pontos-base.
Para estimar os efeitos, os analistas assumiram custo de oportunidade equivalente a 100% do CDI sobre os valores antecipados. A amostra incluiu Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Santander Brasil, Nubank, Banco Inter e ABC Brasil.
Segundo o Citi, o impacto estimado no lucro varia de 0,4% no caso do Nubank a aproximadamente 1,9% para o Banco do Brasil. Em relação ao capital principal, o efeito projetado é de cerca de 8 pontos-base no índice de Nível 1, tomando como referência o quarto trimestre de 2025. O relatório ressalta que, para Banco do Brasil, Itaú e Nubank, as estimativas podem estar superdimensionadas, pois os cálculos consideraram todos os depósitos, inclusive operações no exterior.
Após o Conselho Monetário Nacional autorizar, em janeiro, mudanças no estatuto do FGC que ampliam sua capacidade de ajustar alíquotas e exigir adiantamentos, a próxima etapa envolve a definição, pelo Banco Central do Brasil, do cronograma formal de parcelamento do adiantamento inicial de 60 meses. O Citi avalia que essa regulamentação pode ocorrer entre março e maio.
O relatório também menciona a possibilidade de concessão de dispensa temporária de parte das contribuições, diante do caráter extraordinário da situação e das restrições de capital de algumas instituições. Paralelamente, os bancos, por meio da Federação Brasileira de Bancos, negociam com o Banco Central a possibilidade de utilizar depósitos compulsórios para financiar os adiantamentos ao FGC. Como esses recursos já permanecem retidos no BC sem remuneração, o redirecionamento poderia mitigar o custo de oportunidade associado à medida.










