O Ministério da Fazenda confirmou a elevação do imposto de importação sobre mais de mil produtos classificados como bens de capital e itens de informática e telecomunicações. A revisão das alíquotas atinge equipamentos industriais, componentes eletrônicos e dispositivos como telefones inteligentes, com aumento que pode alcançar 7,2 pontos percentuais.
A alteração já começou a ser implementada e parte das novas tarifas passa a vigorar a partir de março. Segundo a equipe econômica, a medida busca ajustar a concorrência entre produtos estrangeiros e nacionais em um contexto de crescimento contínuo das compras externas nesses segmentos.
Dados apresentados pela Fazenda indicam que as importações de bens de capital e de informática acumulam alta de 33,4% desde 2022. Em dezembro do último ano, a participação desses produtos no consumo interno superou 45%. Para o governo, esse avanço amplia a exposição do setor produtivo à concorrência internacional e pressiona a estrutura industrial doméstica.
O governo também informou que, em 2024, os Estados Unidos lideraram a origem das importações desses bens, com US$ 10,18 bilhões e participação de 34,7%. A China respondeu por US$ 6,18 bilhões, equivalente a 21,1%, seguida por Singapura, com US$ 2,58 bilhões e 8,8%, e França, com US$ 2,52 bilhões e 8,6%. A concentração geográfica reforça a relevância das cadeias globais no abastecimento de máquinas e equipamentos utilizados no país.
Na avaliação da Fazenda, a revisão tarifária é direcionada a segmentos específicos e tem como objetivo reduzir a vulnerabilidade externa associada ao déficit setorial. A pasta argumenta que instrumentos tarifários continuam sendo utilizados por diferentes países para responder a distorções comerciais e proteger cadeias produtivas consideradas estratégicas.
A decisão atinge produtos utilizados tanto por consumidores finais quanto por empresas, como equipamentos industriais, máquinas para setores de energia, transporte, agricultura e saúde, além de componentes eletrônicos. No caso dos smartphones e outros dispositivos eletrônicos, o aumento da carga tributária pode influenciar preços ao consumidor e estratégias de importação de varejistas e distribuidores.
O governo abriu prazo até 31 de março para que empresas solicitem redução temporária da alíquota a zero para itens que já haviam sido beneficiados anteriormente. Caso aprovadas, as concessões poderão vigorar por até 120 dias, mecanismo que busca mitigar impactos imediatos sobre cadeias produtivas dependentes de insumos externos.
A elevação das tarifas ocorre em um cenário de debate sobre política industrial e equilíbrio das contas externas. Ao ampliar a tributação de determinados importados, a equipe econômica sinaliza intenção de estimular a produção doméstica, ao mesmo tempo em que introduz novos custos para setores que dependem de máquinas e equipamentos estrangeiros, com possíveis efeitos sobre investimentos e formação de preços ao longo da cadeia produtiva.










