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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central voltou a soar o alarme sobre a trajetória da inflação no Brasil. Em ata divulgada nesta terça-feira (25), o colegiado reforçou que a piora nas expectativas inflacionárias de longo prazo está tornando o cenário mais adverso e, por isso, exigirá a manutenção da taxa básica de juros em níveis elevados por um período mais prolongado.
De acordo com o documento, as projeções de inflação voltaram a subir em todos os prazos, o que acendeu um sinal de alerta entre os membros do comitê. O Copom classifica esse descompasso como um fator de “desconforto comum” e enfatiza que o fenômeno precisa ser combatido com uma política monetária mais restritiva. “O cenário de convergência da inflação à meta torna-se mais desafiador com expectativas desancoradas para prazos mais longos e exige uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”, destacou o texto.
A análise segue a decisão unânime do Copom, tomada na última quarta-feira (19), de elevar a taxa Selic em um ponto percentual, de 13,25% para 14,25% ao ano. O novo patamar retoma o mesmo nível observado durante a crise econômica no governo Dilma Rousseff (PT), marcando uma guinada mais dura na política de controle inflacionário.
Além do aumento, o comitê também sinalizou que o ciclo de alta ainda não chegou ao fim. Para a próxima reunião, marcada para maio, a expectativa é de um novo reajuste, embora em ritmo menor. Mesmo com a indicação de desaceleração, o Copom evitou se comprometer com um percentual específico de ajuste, preferindo manter margem para reagir conforme os dados econômicos evoluírem.
Na ata, os dirigentes do BC destacaram três mensagens principais. A primeira foi a reafirmação de que, diante do cenário atual, o ciclo de aperto monetário continua em aberto. A segunda, reconhecendo os efeitos defasados da elevação dos juros sobre a atividade econômica, aponta para uma alta mais branda na próxima reunião. Por fim, o comitê optou por sinalizar apenas o próximo passo da política monetária, diante do elevado grau de incerteza que ainda paira sobre o ambiente econômico.
Com isso, o Banco Central tenta equilibrar o combate à inflação com os riscos para o crescimento, em meio a um cenário fiscal sensível e expectativas do mercado cada vez mais descoladas da meta oficial de inflação. A estratégia, segundo o próprio Copom, é garantir a credibilidade da autoridade monetária, mesmo que isso signifique juros altos por mais tempo do que o desejado.