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A balança comercial brasileira registrou um déficit de US$ 323 milhões em fevereiro, conforme divulgado nesta sexta-feira pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). O resultado contrasta com o superávit de US$ 5,1 bilhões registrado no mesmo período de 2024, refletindo o crescimento expressivo das importações.
No segundo mês de 2025, as exportações totalizaram US$ 22,928 bilhões, representando uma queda de 1,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já as importações alcançaram US$ 23,252 bilhões, um avanço significativo de 27,6%. No acumulado do ano, o superávit comercial foi de US$ 1,934 bilhão, uma redução de 82,9% em comparação ao ano passado. No período, as exportações somaram US$ 48,252 bilhões, queda de 3,6%, enquanto as importações cresceram 19,6%, atingindo US$ 46,318 bilhões.
A corrente de comércio, que representa a soma das exportações e importações, chegou a US$ 94,751 bilhões, um aumento de 6,5% na comparação anual. A Secex projeta um superávit comercial para o Brasil em 2025 variando entre US$ 60 bilhões e US$ 80 bilhões, com previsões de exportações entre US$ 320 bilhões e US$ 360 bilhões e importações entre US$ 260 bilhões e US$ 280 bilhões.
No setor agropecuário, as exportações cresceram 1,3% em fevereiro, enquanto a indústria de transformação apresentou alta de 8,05%. Já a indústria extrativa teve uma retração expressiva de 26,4%. Pelo lado das importações, houve um aumento de 30,39% nas compras do setor agropecuário e um avanço de 30,98% na indústria de transformação, enquanto a indústria extrativa registrou uma queda de 18,93%.
As exportações para China, Hong Kong e Macau, os principais destinos dos produtos brasileiros, caíram 21,12% no mês, impactando a queda geral das vendas para a Ásia, que recuaram 14,11%. Em contrapartida, as exportações para a América do Norte cresceram 20%, para a América do Sul aumentaram 19,03% e para a Europa avançaram 7,93%.
Por outro lado, as importações de produtos oriundos da China, Hong Kong e Macau aumentaram 76,8% em fevereiro, impulsionando o crescimento das compras totais da Ásia, que subiram 58%. Os desembarques de produtos da América do Norte avançaram 17,24%, os da América do Sul cresceram 20,33% e os da Europa tiveram um aumento mais moderado, de 4,11%.
De acordo com o diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, Herlon Brandão, o crescimento das importações no mês foi impulsionado principalmente pela compra de uma plataforma de petróleo no valor de US$ 2,7 bilhões, instalada no Campo de Bacalhau, na Bacia de Santos. Essa aquisição foi a mais valiosa já importada pelo Brasil e teve um impacto direto no saldo da balança comercial.
Brandão explicou que, sem a importação da plataforma, a balança comercial teria registrado um superávit de US$ 2,4 bilhões em fevereiro, ao invés do déficit de US$ 323 milhões. O desembarque da estrutura também elevou o total de importações para US$ 23,3 bilhões, estabelecendo um recorde histórico para o mês em toda a série da Secex.