Banco Master enfrenta desafio bilionário para honrar compromissos
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Pagamento de CDBs do Banco Master depende da venda de ativos, dizem analistas

Para honrar seus compromissos financeiros até o fim de 2025, que somam R$ 16 bilhões, o Banco Master deverá vender uma parte significativa de seus ativos — muitos deles considerados de baixa liquidez, segundo analistas de mercado. Entre os vencimentos, estão R$ 5,36 bilhões em CDBs (Certificados de Depósito Bancário), o que exige uma gestão financeira rigorosa diante do perfil dos ativos mantidos pela instituição.

Segundo o último balanço divulgado, o Master espera obter R$ 7,6 bilhões com o pagamento de empréstimos concedidos e conta ainda com R$ 6,1 bilhões em títulos e valores mobiliários, que precisariam ser vendidos no mercado para cobrir obrigações. No entanto, esse fluxo é incerto. “A maioria dos bancos mantém recursos voltados ao pagamento de passivos em títulos públicos. Chama atenção que o Master tenha pouco título público e muito investimento em Fidcs e fundos multimercado”, avalia Luis Miguel Santacreu, gerente de análise da Austin Rating.

O balanço mostra que o banco detém menos de R$ 200 milhões em títulos do Tesouro Nacional, contrastando com R$ 3 bilhões aplicados em Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (Fidcs) — que negociam créditos como precatórios e recebíveis de empresas —, além de R$ 3,5 milhões em fundos multimercado e R$ 568 milhões em fundos de ações com vencimento previsto para até 12 meses. A instituição, no entanto, não detalha em quais ativos esses fundos investem, o que dificulta a avaliação da liquidez efetiva dos recursos.

A incerteza também é destacada no relatório de auditoria da KPMG, que considerou a mensuração dos fundos de investimento como um dos principais pontos de atenção. “Há um nível elevado de incerteza na definição do valor de mercado desses ativos, sobretudo devido ao risco de crédito e à dificuldade de realização futura”, apontam os auditores.

Diante da pressão de caixa, o banco tem buscado emitir novos CDBs, embora com taxas inferiores às oferecidas anteriormente — que chegavam a 130% do CDI. Mesmo assim, os rendimentos seguem acima da média de mercado: os CDBs pós-fixados de um ano estão sendo ofertados a 107% do CDI, e os de dois anos, a 111%. Já os prefixados têm taxas que vão de 13,9% ao ano (30 dias) a 14,2% (90 dias).

Contudo, o aumento na captação exige cautela. Caso o banco eleve muito sua exposição a clientes de maior risco, terá de reforçar seu capital próprio para não violar as regras de solvência impostas pelo Banco Central. O alerta recai sobre o Índice de Basileia, que mede a capacidade de um banco para arcar com perdas inesperadas. O BC exige um índice mínimo de 10,5%. O Master fechou 2024 com 11,51%, já se posicionando abaixo da média de bancos pequenos e até dos grandes, segundo Rafael Felipe Schiozer, professor da FGV.

Para reforçar o patrimônio, o banco pode recorrer a injeção de capital pelos sócios ou continuar vendendo ativos. No ano passado, o Master vendeu parte da carteira de crédito consignado e atualmente negocia a carteira de precatórios, avaliada em R$ 8,7 bilhões.

Na última sexta-feira (28), o Banco de Brasília (BRB) anunciou um acordo para adquirir 58% das ações do Master. A operação, estimada em cerca de R$ 2 bilhões, depende de aprovação do Banco Central e do Cade, e já está sendo investigada pelo Ministério Público do Distrito Federal, que apura as circunstâncias do negócio.

O mercado acompanha com atenção os próximos passos, pois um eventual recuo do BRB pode complicar ainda mais a situação do Master. “Se o BRB recuar, ficará complicado para o Master. A fotografia do balanço é que ele é um banco com restrições de crescimento e muito a pagar”, alerta Santacreu.

Em nota enviada por sua assessoria, o Banco Master garantiu que cumprirá com todos os seus compromissos. “O balanço demonstra, de forma clara e objetiva, que o banco possui recebíveis de ativos suficientes para cobrir integralmente os passivos de curto, médio e longo prazos — mesmo sem considerar novas captações”, afirmou a instituição.

redacao
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