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A venda dos 20 aeroportos controlados pela CCR ganha tração nas próximas semanas, com a abertura do prazo para a entrega de propostas não vinculantes prevista para o final de abril. Avaliado entre R$ 10 bilhões e R$ 12 bilhões, o negócio já atraiu ao menos 12 operadoras e fundos de investimento, tanto nacionais quanto internacionais, que analisam os ativos com interesse em participar da disputa.
A companhia atualmente opera 17 terminais no Brasil, incluindo o aeroporto de Belo Horizonte, além de outros três na América Latina, entre eles um em Curaçao. Todos foram colocados à venda, em uma das maiores movimentações do setor aeroportuário nos últimos anos. O processo está sendo conduzido pelos bancos Lazard e Itaú BBA.
Entre os interessados que acessaram os dados estão gigantes do setor, como as europeias Fraport, Zurich, Vinci e Aena, todas com experiência no mercado brasileiro. Também demonstraram interesse operadoras latino-americanas, como os mexicanos Grupo Aeroportuario del Pacífico (GAP), Asur e OMA, além da Corporación América Airports, da Argentina. Fundos de infraestrutura, tanto locais quanto estrangeiros, também estão no páreo, podendo atuar sozinhos ou em parceria com operadores especializados.
Com R$ 4,3 bilhões em receita líquida anual e um Ebitda de R$ 1,4 bilhão, os terminais representam um portfólio atrativo, embora composto por unidades de diferentes portes. Mais da metade do resultado operacional vem dos aeroportos internacionais, o que pode aumentar o apetite de players com foco fora do Brasil. Apesar da intenção da CCR de vender o pacote completo, fontes do mercado não descartam a possibilidade de desmembramento dos ativos, separando, por exemplo, os terminais nacionais dos internacionais ou estruturando a venda em blocos regionais.
As instalações da CCR movimentam, ao todo, cerca de 43 milhões de passageiros por ano. Ainda assim, o cenário é desafiador: ao contrário dos segmentos de rodovias e mobilidade urbana, onde a empresa também atua, a previsibilidade no setor aeroportuário tem se mostrado mais incerta, principalmente diante das oscilações na curva de crescimento da demanda de passageiros — fator que já impactou outras concessões do setor.
Algumas das operadoras interessadas já têm presença no país. A Fraport, por exemplo, administra os aeroportos de Porto Alegre e Fortaleza; a Aena, o de Congonhas; e a Zurich, os terminais de Florianópolis e Natal. Já os grupos mexicanos, apesar de demonstrarem interesse no Brasil há anos, ainda não haviam concretizado entrada no mercado — o que agora pode finalmente se concretizar, caso avancem nas negociações.
Até o momento, os potenciais compradores assinaram acordos de confidencialidade (NDA) e estão analisando os dados com mais profundidade. As ofertas não vinculantes devem ser apresentadas entre o fim de abril e o início de maio. Paralelamente, a CCR já vinha sinalizando ao mercado sua intenção de se desfazer de ativos considerados não estratégicos, o que inclui, além dos aeroportos, participações no segmento de mobilidade urbana.
A empresa tem como sócios nomes de peso, como Itaúsa, Votorantim, Mover (ex-Camargo Corrêa) e o grupo Soares Penido. Procurada, a CCR preferiu não comentar o andamento da operação.