Views
O mercado imobiliário brasileiro tem sentido os impactos dos recentes aumentos da taxa básica de juros, a Selic, o que resultou em maior dificuldade para obter financiamentos e provocou um aumento acentuado nos valores dos aluguéis residenciais. Em São Paulo, o índice FipeZap, que mede os preços do setor imobiliário, registrou em fevereiro uma alta de 12% no acumulado de 12 meses. Atualmente, o aluguel residencial médio na capital paulista está em R$ 59,19 por metro quadrado.
A alta expressiva reflete um cenário econômico marcado por juros elevados, dificultando a compra de imóveis e aumentando a demanda por locações. Segundo Paula Reis, economista do DataZap, a alta dos preços no início do ano é comum devido à combinação de demanda crescente com oferta limitada. Ela destacou que São Paulo, especificamente, tem registrado aumentos consecutivos desde setembro de 2024, principalmente em bairros como Jardins, Campo Belo e Santana, onde os valores subiram entre 20% e 22%.
O maior impacto dessa tendência de aumento dos aluguéis tem sido sentido especialmente pela classe média. Com renda familiar superior aos limites estabelecidos por programas sociais de habitação, essa faixa de público também enfrenta restrições maiores na obtenção de financiamentos habitacionais. Gustavo Favaron, presidente de uma empresa especializada no setor imobiliário, acredita que o mercado não conseguirá suprir a demanda rapidamente, fazendo com que os preços continuem subindo acima dos principais índices de inflação.
Favaron ressaltou ainda que, sem investimentos adicionais na oferta de imóveis para aluguel, a tendência é de continuidade da elevação dos preços, especialmente nas grandes capitais. Bairros nobres paulistanos como Jardins, Campo Belo e Jardim da Saúde já apresentaram altas anuais superiores a 20%.
Por outro lado, Salvador e Curitiba aparecem como cidades onde a rentabilidade com imóveis de aluguel tem crescido, com destaque para São Paulo, onde a taxa média anual é de aproximadamente 6,16%. Em outras regiões, como Jardins e Campo Belo, os valores do metro quadrado já ultrapassam R$ 90,00.
Economistas acreditam que os preços elevados não devem provocar um aumento de distratos, já que os inquilinos costumam romper contratos somente quando encontram aluguéis mais baixos. Porém, apontam que os reajustes acima dos principais índices de inflação podem pesar ainda mais no orçamento das famílias brasileiras nos próximos meses.
Além disso, especialistas alertam que o fim da guerra fiscal, prevista para entrar em vigor ao longo dos próximos anos, poderá afetar mercados como o de Extrema, em Minas Gerais, que atrai empresas por incentivos fiscais. O resultado poderá ser aumento da vacância e desvalorização local dos imóveis.
Diante desse cenário, investidores têm percebido oportunidades de ganhos mais expressivos com imóveis alugados, pois obtêm tanto o retorno mensal via aluguéis como também o ganho com a valorização dos imóveis no médio e longo prazo. Com a Selic alta e sem perspectiva de queda imediata, a tendência é que a demanda por aluguel se mantenha aquecida e os preços continuem pressionados.