Relatório do Fed aponta incerteza em torno da perspectiva econômica americana
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O presidente do Fed alertou que as tarifas de importação impostas por Donald Trump, podem pressionar a inflação

O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, justificou sua decisão de manter a taxa de juros americana inalterada afirmando que "a incerteza em torno da perspectiva econômica aumentou". O anúncio foi feito nesta quarta-feira (19) pelo Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc). No Brasil, tanto a Bolsa de Valores quanto a cotação do dólar registraram pouca volatilidade após a divulgação do comunicado.

Durante a coletiva de imprensa, o presidente do Fed, Jerome Powell, alertou que as tarifas de importação impostas pelo novo presidente dos EUA, Donald Trump, podem pressionar a inflação. "É difícil quantificar exatamente o impacto inflacionário dessas tarifas, mas certamente ele será significativo", afirmou. Powell reiterou a expectativa de dois cortes de juros ao longo deste ano, mas enfatizou que as decisões dependerão dos dados econômicos. "Sempre há turbulência no início de uma nova administração. No entanto, esse cenário pode melhorar", ponderou.

Com essa decisão, os juros americanos permanecem no intervalo entre 4,25% e 4,50% ao ano, sendo essa a segunda manutenção consecutiva das taxas desde o final de 2024. O Fomc destacou em seu comunicado que "os indicadores recentes sugerem que a atividade econômica continua a se expandir em um ritmo sólido". Além disso, pontuou que "a taxa de desemprego se estabilizou em um nível baixo nos últimos meses, e as condições do mercado de trabalho seguem robustas. A inflação, por sua vez, continua um pouco elevada."

O comitê também reforçou que está pronto para ajustar sua política monetária caso surjam riscos que possam comprometer suas metas. "As avaliações do Comitê levarão em conta uma ampla gama de informações, incluindo as condições do mercado de trabalho, pressões inflacionárias, expectativas de inflação e desenvolvimentos financeiros e internacionais", afirmou o comunicado.

Impacto das políticas do governo Trump e postura do Fed

O Fed adotou uma abordagem cautelosa diante das incertezas geradas pelas políticas do governo Trump, especialmente no que diz respeito às tarifas comerciais e mudanças nos gastos públicos. "Ele está evitando ajustes precipitados e deixando a porta aberta para eventuais cortes de juros, que dependerão do cenário econômico de 2025", explicou José Cassiolato, sócio da RGW Investimentos.

A inflação segue como um fator de atenção. O comitê revisou suas projeções para cima, o que reforça a dificuldade do Fed em trazer a inflação de volta à meta de 2%. "Esse cenário pode limitar o espaço para cortes de juros ao longo do ano", analisou Daniela Lopes, planejadora financeira da Ébano Investimentos. Claudia Rodrigues, economista do C6 Bank, destacou que a incerteza em relação às políticas comerciais da nova administração americana pode impactar a atividade econômica, o que contribuiria para que o Fed adote essa postura de maior cautela.

Efeito sobre o Brasil e expectativas futuras

Caso o crescimento da economia americana desacelere, a tendência é que as taxas de juros no Brasil também possam cair. "Se isso ocorrer e o Fed efetuar cortes de juros nas próximas reuniões deste ano, o aperto monetário no Brasil pode chegar ao fim ainda em 2025", afirmou Tiago Feitosa, fundador da T2 Educação Financeira.

Embora Powell tenha indicado a possibilidade de dois cortes nos juros ainda este ano, ele não descartou ajustes caso o cenário mude. "Vamos aguardar mais clareza antes de tomar qualquer decisão definitiva", ressaltou o presidente do Fed. Ele destacou que a nova administração está implementando mudanças políticas significativas em áreas como comércio, imigração, política fiscal e desregulamentação, e que os efeitos combinados dessas políticas serão determinantes para o rumo da economia e da política monetária.

Os analistas do mercado agora voltam suas atenções para as projeções do comitê. "Mesmo com a resiliência da economia americana, o Fed sinalizou que reduzirá o ritmo de enxugamento do seu balanço de ativos, o que demonstra cautela frente à persistência da inflação elevada", avaliou Willian Andrade, gestor da Kaya Asset Management.

De modo geral, o mercado financeiro recebeu bem a decisão do Fed de manter os juros. "Não acredito que veremos mais de dois cortes nos juros este ano", disse Rodrigo Cohen, analista de investimentos e cofundador da Escola de Investimentos. Segundo Fernando Bresciani, analista de investimentos do AndBank, a confiança do mercado na economia americana segue elevada, sem sinais alarmantes de inflação. Davi Lelis, sócio da Valor Investimento, reforçou que "o mercado de trabalho dos EUA continua forte".

Por outro lado, o economista-chefe da Nomad, Danilo Igliori, ponderou que "a vida dos membros do Fomc ficou mais difícil com o governo Trump, mas, até o momento, os ajustes nas perspectivas para a política monetária foram feitos com bastante parcimônia". Ele acredita que muitas mudanças ainda podem ocorrer até a próxima reunião do Fed.

Ajustes no resgate de títulos e impacto no mercado de crédito

Além da decisão sobre os juros, o Fed anunciou uma redução no ritmo de resgate de títulos públicos americanos. Segundo analistas, essa medida favorece o mercado de crédito no médio e longo prazo. "Essa estratégia proporciona um suporte indireto ao mercado de crédito, facilitando as condições para investidores e empresas", afirmou Lelis.

A manutenção da taxa de juros e as indicações sobre o balanço de ativos reforçam o compromisso do Fed em equilibrar crescimento econômico e estabilidade financeira diante das incertezas do cenário global. O mercado seguirá acompanhando atentamente os próximos movimentos do banco central americano.

redacao
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