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Conflito na Venezuela aumenta incerteza e pode pressionar preços do petróleo

Mercado de petróleo reage à incerteza geopolítica após ação dos EUA na Venezuela

O ataque dos Estados Unidos à Venezuela elevou o nível de incerteza no mercado internacional de petróleo e pode gerar pressão sobre os preços da commodity nos próximos dias, segundo avaliação do presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, Roberto Ardenghy. A análise considera que o risco geopolítico tende a ter peso maior nas cotações do que eventuais mudanças imediatas na oferta global.

A avaliação ocorre após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando a possibilidade de administração interina da Venezuela e participação de empresas americanas na exploração do petróleo do país. Ardenghy afirmou que, mesmo diante de uma eventual ampliação futura da oferta venezuelana, o aumento da incerteza geopolítica tende a ser precificado pelo mercado.

Segundo o presidente do IBP, a Venezuela detém as maiores reservas conhecidas de petróleo do mundo, estimadas em cerca de 220 bilhões de barris, concentradas majoritariamente na Faixa do Orinoco. Apesar disso, o país tem participação limitada na produção global, com cerca de 700 mil barris por dia, volume inferior ao de grandes produtores como Estados Unidos, Arábia Saudita e Brasil.

Ardenghy explicou que o mercado internacional reage mais às expectativas do que à produção física. Embora a produção global seja de aproximadamente 100 milhões de barris por dia, o volume negociado diariamente no mercado futuro é significativamente superior, o que amplia a sensibilidade dos preços a eventos geopolíticos. Nesse contexto, a elevação do risco tende a ser incorporada rapidamente às cotações.

Atualmente, o petróleo venezuelano permanece sob embargo dos Estados Unidos, o que restringe sua circulação internacional. Trump afirmou que as sanções seriam mantidas até a normalização da situação no país. A Venezuela é membro fundador da Opep, responsável por cerca de 40% da produção mundial de petróleo, fator que aumenta a atenção do mercado aos desdobramentos do conflito. Mesmo sob sanções, o país mantém relações comerciais com China, Rússia e Irã.

O presidente do IBP também destacou que a escalada de tensões pode elevar custos de frete e de seguros marítimos no Caribe, rota estratégica para o comércio entre América do Sul, Estados Unidos e Canadá. Segundo ele, alterações logísticas podem afetar cadeias de suprimento, inclusive no Brasil, que exporta petróleo para os Estados Unidos e importa derivados como diesel, gasolina e GLP.

Outro ponto mencionado foi o perfil do petróleo venezuelano, classificado como pesado, com baixo grau API, utilizado principalmente na produção de diesel, coque de petróleo e asfalto. Refinarias americanas foram historicamente adaptadas para processar esse tipo de óleo, o que explica o interesse estratégico no país.

Para o Brasil, Ardenghy afirmou que um eventual aumento do preço do petróleo tende a ter impacto positivo na balança comercial, uma vez que o país exporta cerca de 1,7 milhão de barris por dia e figura entre os maiores exportadores globais da commodity.

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