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Selic a 15% não trava a Bolsa: o investidor que entendeu isso saiu na frente

(Por Letícia Bogéa – Analista de Economia do Boletim Nacional)

O Comitê de Política Monetária (Copom) confirmou, na última quarta-feira (28 de janeiro), a manutenção da taxa Selic em 15% ao ano. A decisão já era esperada pelo mercado e reforça a postura cautelosa do Banco Central diante de um cenário que ainda exige atenção à inflação e à política fiscal. Com esse resultado, a renda fixa continua oferecendo retorno elevado, com previsibilidade e proteção para perfis de investidores mais conservadores.

Já na renda variável, o comportamento da Bolsa brasileira mostra que juros altos não são um obstáculo para a valorização das ações. O Ibovespa mantém uma trajetória consistente de alta desde 2025 e, em janeiro de 2026, voltou a renovar máximas, superando os 175 mil pontos. O bom desempenho reflete não apenas o movimento de preços, mas uma reavaliação do mercado sobre o potencial das empresas listadas.

Como mostrei no meu último artigo, a entrada líquida de recursos de investidores estrangeiros superou R$ 12 bilhões, segundo dados da B3. Ou seja, se os estrangeiros voltaram a alocar recursos no Brasil, mostra que os preços aqui estão atrativos, e que o cenário global está mais favorável a mercados emergentes.

Para quem investe, o momento reforça a importância de estratégia. A renda fixa segue cumprindo bem seu papel de estabilidade, enquanto a Bolsa se consolida como instrumento de crescimento patrimonial no médio e longo prazo. Não se trata de escolher um lado, mas de combinar ativos de forma inteligente, respeitando perfil de risco e objetivos financeiros.

Investir bem não é tentar prever o próximo movimento do mercado, mas manter disciplina e constância. Quem entende que volatilidade faz parte do processo, diversifica e mantém foco nos fundamentos tende a atravessar diferentes ciclos com mais tranquilidade e resultados mais sólidos ao longo do tempo.

Investidores atentos ao risco fiscal

Na minha visão, acredito que há espaço para cortes na Selic na próxima reunião do Copom (março), mas, ainda assim, o risco fiscal no país ainda é grande, o que pode limitar os cortes dos juros no decorrer de 2026. Mesmo com reduções à frente, os juros devem permanecer elevados ao longo de 2026, já que a ausência de um plano fiscal mantém os juros de longo prazo pressionados e dificulta uma queda estrutural da taxa básica.

O alerta que deixo: tenha estratégia, pense no longo prazo e acompanhe o mercado, sem se deixar dominar pelos movimentos do dia a dia. Oscilações isoladas nunca definiram resultados (não vai ser agora que vai definir). Plano sólido, sim. Esse define resultado!
No mercado, o longo prazo é a única estratégia que se sustenta!

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