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Corretora investigada na Compliance Zero tem R$ 430 milhões a receber do Grupo Fictor

Sefer Investimentos figura entre os maiores credores do conglomerado

A corretora Sefer Investimentos DTVM figura entre os principais credores do Grupo Fictor, que entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. De acordo com os documentos apresentados pelo conglomerado, a instituição financeira tem direito a receber R$ 430 milhões no processo, que envolve uma dívida total declarada de R$ 4,257 bilhões.

A Sefer Investimentos é um dos alvos da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em janeiro deste ano pela Polícia Federal. A investigação apura a atuação de fundos e corretoras de investimento em operações supostamente relacionadas a fraudes financeiras atribuídas ao Banco Master, que foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Centralem novembro de 2025. Todos os investigados negam irregularidades. O inquérito tramita no gabinete do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal.

O pedido de recuperação judicial do Grupo Fictor está sob análise da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. No documento, o conglomerado solicita a suspensão de ações de cobrança por parte dos credores e se compromete a apresentar um plano de reestruturação financeira, conforme previsto na legislação brasileira.

Além da Sefer Investimentos, o pedido identifica como principais credores investidores que aplicaram recursos por meio de estruturas de investimento, com valores que somam R$ 2,765 bilhões, além da American Express, com crédito declarado de R$ 891 milhões. O documento também menciona valores devidos a consultores, referentes a bônus e comissões.

O Grupo Fictor atua em diferentes setores da economia e tentou, no fim do ano passado, adquirir o Banco Master por meio de um consórcio que contava com investidores estrangeiros, incluindo recursos oriundos dos Emirados Árabes Unidos. A operação previa um aporte de aproximadamente R$ 3 bilhões, mas não avançou devido à liquidação do banco pelo Banco Central. Segundo o grupo, o episódio provocou uma crise de confiança que afetou sua liquidez e desencadeou o pedido de recuperação judicial.

A advogada Giovanna Michelleto, especialista em reestruturação empresarial e insolvência, avalia que, para os investidores credores do Grupo Fictor, a recuperação judicial tende a ser um caminho mais eficiente do que uma eventual decretação de falência. Segundo ela, o processo falimentar costuma ser mais prolongado e envolve a entrada de um número maior de credores, o que pode reduzir a previsibilidade dos pagamentos.

De acordo com a especialista, mesmo no cenário de recuperação judicial, os prazos são extensos. A expectativa é que a fase de apresentação e votação do plano de pagamento dos credores leve entre seis meses e um ano, a depender da complexidade das negociações e do volume de passivos envolvidos.

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