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Itaú lucra R$ 12,3 bilhões no 4º trimestre e encerra 2025 com rentabilidade recorde

Resultado do Itaú confirma desempenho operacional sólido e melhora do crédito

O Itaú Unibanco registrou lucro recorrente gerencial de R$ 12,3 bilhões no quarto trimestre de 2025, alta de 13,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo documento divulgado ao mercado nesta quarta-feira. O resultado ficou em linha com as estimativas compiladas pela Bloomberg, que apontavam lucro de R$ 12,1 bilhões para o período.

O desempenho confirma a trajetória consistente do banco ao longo dos últimos anos e reforça a percepção de analistas de que o Itaú atravessou o ciclo recente de aperto monetário sem deterioração relevante de seus principais indicadores financeiros. Diferentemente de outros grandes bancos privados, o grupo manteve estabilidade na inadimplência e avanço contínuo da rentabilidade, mesmo em um ambiente macroeconômico mais desafiador.

O retorno sobre o patrimônio líquido, indicador central para avaliação do setor bancário, atingiu 24,4% no trimestre, nível estável em relação ao trimestre anterior e significativamente superior ao observado em seus principais concorrentes. Trata-se do maior ROE reportado pelo Itaú desde o segundo trimestre de 2015, quando o banco havia alcançado 24,8%. Segundo a administração, o crescimento do lucro foi impulsionado principalmente pela expansão da margem financeira com clientes, refletindo maior volume de crédito e spreads mais favoráveis.

A margem financeira com clientes alcançou R$ 30,9 bilhões no quarto trimestre, avanço de 8,6% em base anual. Já a margem financeira gerencial totalizou R$ 31,5 bilhões, crescimento de 7,3% na comparação com o mesmo período de 2024. O banco atribui esse desempenho à combinação entre aumento do volume médio da carteira de crédito, melhora da margem com passivos e maior resultado com capital de giro próprio.

As receitas de serviços e seguros também apresentaram crescimento ao longo do ano, com alta de 6,3%, beneficiadas pelo avanço da administração de recursos, pelo aumento das receitas com cartões e pela expansão das operações de pagamentos e recebimentos. Esse conjunto de fatores contribuiu para sustentar o resultado operacional em patamar elevado, mesmo com pressões pontuais de custos.

Na frente de qualidade de crédito, o índice de inadimplência acima de 90 dias permaneceu estável em 1,9%, indicando resiliência da base de clientes em um cenário de juros elevados. Já a inadimplência entre 15 e 90 dias recuou 0,4 ponto percentual no trimestre, encerrando o período em 1,6%. No segmento de grandes empresas no Brasil, a melhora foi ainda mais expressiva, com o indicador de curto prazo caindo para 0,03%, após a cessão de uma carteira que havia apresentado atraso no trimestre anterior.

O banco conseguiu sustentar a melhora nos indicadores de crédito sem abrir mão da expansão da carteira, que cresceu 6% no ano, alcançando R$ 1,4 trilhão. No segmento de pessoas físicas, o avanço foi de 6,6%, com destaque para crédito imobiliário, cartão de crédito e crédito pessoal. Apesar disso, a despesa com provisões para créditos de liquidação duvidosa somou R$ 10 bilhões no trimestre, alta de 4,9% em base anual, refletindo uma postura conservadora na gestão de riscos.

As despesas não decorrentes de juros atingiram R$ 17,3 bilhões, crescimento de 3,7%, puxado principalmente pelo aumento de investimentos em tecnologia, que avançaram 18,2%, além de maiores gastos com pessoal. Segundo o banco, esses investimentos fazem parte da estratégia de longo prazo de fortalecimento da infraestrutura digital e do ecossistema financeiro do grupo.

“Entregamos resultados consistentes em 2025 com disciplina de risco, solidez e governança robusta. Isso se reflete também no nosso ecossistema de investimentos, no qual administramos, gerimos e custodiamos cerca de R$ 4,1 trilhões em recursos”, afirmou o CEO do Itaú, Milton Maluhy Filho, no comunicado que acompanhou a divulgação dos resultados.

Para 2026, o Itaú apresentou projeções mais otimistas em relação ao crescimento do crédito. O banco espera expansão da carteira entre 7,5% e 9,5%, acima da faixa projetada no ano anterior. A margem financeira com clientes também deve avançar, com crescimento estimado entre 5% e 9%. Já a margem financeira com o mercado é projetada entre R$ 2,5 bilhões e R$ 5,5 bilhões.

Em relação ao risco de crédito, a instituição estima custo entre R$ 38,5 bilhões e R$ 43,5 bilhões ao longo de 2026. As receitas de prestação de serviços e o resultado de seguros devem crescer entre 5% e 9%, enquanto as despesas não decorrentes de juros têm previsão de aumento mais moderado, entre 1,5% e 5,5%, sinalizando manutenção do controle de custos.

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