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Rali da Vale divide analistas e levanta dúvidas sobre próximos passos

Itaú BBA eleva preço-alvo da Vale para US$ 19 e aponta vetores macro e operacionais favoráveis

O Itaú BBA avalia que a valorização recente das ações da Vale não elimina os fundamentos que sustentam uma visão construtiva para os papéis da companhia. Em relatório, o banco afirma que, mesmo após a alta acumulada dos ADRs negociados nos Estados Unidos, a mineradora segue inserida em um ambiente favorável, marcado pela busca global por ativos reais, pela tendência de desvalorização cambial e por avanços operacionais que reforçam a geração de caixa.

Segundo o banco, a valorização observada ao longo do ano reflete não apenas fatores específicos da empresa, mas também um movimento mais amplo de realocação de capital internacional em direção a mercados emergentes. Nesse contexto, o Brasil aparece como destino relevante desses fluxos, e a Vale se destaca como uma das principais portas de entrada para investidores estrangeiros, em função de seu peso expressivo no mercado acionário local e de sua exposição direta ao ciclo de commodities.

Diante desse cenário, o Itaú BBA reiterou recomendação de outperform para as ações da companhia e elevou o preço-alvo dos ADRs para US$ 19, ante US$ 14 anteriormente. A revisão incorpora a leitura de que o ambiente macroeconômico segue favorecendo empresas ligadas a ativos reais, ao mesmo tempo em que reconhece a melhora consistente na execução operacional da mineradora. Para os analistas, o posicionamento ainda relativamente baixo de investidores locais, combinado ao aumento gradual da participação estrangeira, sugere que a dinâmica de fluxos permanece favorável.

O banco também revisou para cima suas estimativas de Ebitda para os próximos anos. Para 2026, a projeção passou a US$ 18 bilhões, um aumento de 7% em relação à estimativa anterior, refletindo principalmente preços mais elevados dos metais básicos. Nesse segmento, o Ebitda esperado foi elevado para US$ 5,1 bilhões, representando um avanço de 57% frente à projeção anterior. Para 2027, a estimativa foi ajustada para US$ 18,6 bilhões, 4% acima da previsão anterior, mesmo considerando revisões negativas na divisão de ferrosos em função de volumes menores.

Além da melhora operacional, o Itaú BBA avalia que a trajetória de desalavancagem deve ganhar tração a partir deste ano. O banco projeta que a Vale encerrará 2026 com dívida líquida expandida de US$ 15,7 bilhões. Considerando apenas o pagamento de dividendos mínimos, com rendimento médio estimado em torno de 6%, a dívida líquida poderia recuar para US$ 14,5 bilhões em 2027 e US$ 12,5 bilhões em 2028, patamar abaixo da meta financeira da companhia. Esse movimento, segundo o banco, abre espaço para eventuais distribuições extraordinárias aos acionistas.

Em contraponto a essa leitura, a Genial Investimentos adota uma postura mais cautelosa em relação às ações da Vale. A casa mantém recomendação neutra e preço-alvo de R$ 90, argumentando que a forte valorização recente eliminou o desconto que existia anteriormente e levou os papéis a negociar próximos ao que considera seu valor justo. Segundo a Genial, após uma alta acumulada de cerca de 55% em seis meses, impulsionada por fluxos estrangeiros e pela reprecificação do minério de ferro, o movimento de ajuste de valuation estaria praticamente concluído.

Na avaliação da Genial, o retorno do fluxo de caixa livre projetado para 2026 recuou para 9%, ante 14% anteriormente, indicando compressão relevante em um curto intervalo de tempo. Em termos de múltiplos, o EV/Ebitda estimado para 2026 está em 5,3 vezes, levemente acima da média histórica, enquanto o dividend yield projetado caiu para cerca de 8%, frente a patamares próximos de 12% antes da valorização recente.

A casa também menciona episódios recentes de extravasamento de água em operações da Vale em Minas Gerais como um fator adicional de risco marginal no curto prazo. Embora destaque que os eventos não envolveram rejeitos, barragens ou impactos a comunidades, a Genial avalia que o ruído ambiental, somado à compressão dos indicadores de retorno, reforça a decisão de manter uma postura mais conservadora neste momento.

De acordo com dados compilados pela LSEG, o consenso de mercado segue dividido. Entre os analistas que cobrem a ação, nove possuem recomendação de compra e seis mantêm recomendação neutra. O preço-alvo médio é de R$ 78,10, valor abaixo das cotações recentes, refletindo a intensidade da valorização dos papéis nos últimos meses.

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