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Banco Central aciona CGU para avaliar processos na liquidação do Banco Master

Órgão de controle avalia processos e conduta de servidores do BC no caso Banco Master

A Controladoria-Geral da União (CGU) passou a acompanhar de perto as apurações relacionadas à liquidação do Banco Master. O órgão foi acionado pelo Banco Central do Brasil para auxiliar em uma investigação interna que busca esclarecer os fatores que levaram ao encerramento das atividades da instituição controlada por Daniel Vorcaro, além de avaliar os procedimentos adotados e a conduta de integrantes da autoridade monetária ao longo do processo.

Neste estágio inicial, o trabalho da CGU está concentrado na análise formal dos atos praticados pelo Banco Central, com foco na verificação do cumprimento das normas e protocolos internos. A avaliação é feita a partir da documentação produzida durante a apuração em curso. De acordo com fontes envolvidas, caso sejam identificadas inconsistências ou falhas relevantes, o acompanhamento pode evoluir para a abertura de processos administrativos disciplinares, com eventual responsabilização de servidores.

A iniciativa ocorre em paralelo a uma investigação sigilosa aberta pelo Banco Central no fim do ano passado, com o objetivo de obter uma análise detalhada do caso Banco Master. A apuração interna busca não apenas compreender os fatos que culminaram na liquidação, mas também identificar pontos de aprimoramento nos mecanismos de supervisão e controle do sistema financeiro.

Dentro do Banco Central, há divergências na avaliação sobre o papel desempenhado pela área de supervisão bancária no caso. Parte dos servidores sustenta que o departamento foi responsável por identificar indícios de possíveis irregularidades na carteira de crédito envolvendo o Banco Master e o BRB. Outros, no entanto, avaliam que as medidas adotadas poderiam ter sido mais céleres, considerando que as dificuldades de captação de recursos da instituição se prolongaram por um período próximo a um ano.

Durante o andamento das apurações, os dois chefes do Departamento de Supervisão Bancária pediram exoneração de seus cargos, após terem sido previamente afastados das funções. Até o momento, não há acusações formais contra servidores do Banco Central. Em nota, a autoridade monetária afirmou que a substituição de ocupantes de cargos comissionados é uma prática regular na administração pública.

Em novembro de 2024, o Banco Central determinou que o Banco Master adotasse medidas para corrigir desenquadramentos em relação às normas prudenciais, especialmente os problemas recorrentes de liquidez para honrar obrigações financeiras. A partir desse período, as investigações indicam intensificação de operações consideradas atípicas envolvendo fundos ligados à gestora Reag e o BRB, que negam a existência de irregularidades.

As operações realizadas não foram suficientes para reverter a situação da instituição. Após o insucesso das negociações entre o Banco Master e o BRB, o Banco Central buscou alternativas de mercado para a transferência do controle do banco. A única proposta apresentada partiu de um consórcio liderado pela Fictor, holding que entrou em recuperação judicial nesta semana e passou a ser investigada pela Polícia Federal.

A proposta foi rejeitada pela autoridade monetária, que optou pela liquidação do Banco Master. O caso segue sob investigação, envolvendo suspeitas de transações irregulares com o BRB e a gestora Reag, ambas também alvo de apurações conduzidas pela Polícia Federal.

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