O mercado financeiro vive um embate cada vez mais claro entre gestão ativa e passiva, com vantagem crescente para os fundos que replicam índices. No Brasil, dados da Anbima mostram que os ETFs já ocupam a segunda posição entre as classes de investimento que mais captam recursos, refletindo uma tendência global observada com intensidade nos Estados Unidos, onde trilhões de dólares migraram de fundos ativos para estratégias passivas.
Segundo Cristiano Castro, diretor da BlackRock Brasil, esse avanço está ligado ao amadurecimento do investidor e à busca por eficiência, diversificação e custos reduzidos. Ele destaca que a maior parte do retorno de longo prazo vem da alocação correta entre classes de ativos, e não da escolha individual de ações. Com taxas de administração muito baixas, alta liquidez e transparência total da carteira, os ETFs passaram a ser utilizados tanto por investidores institucionais quanto por pessoas físicas.
Especialistas também ressaltam que o sucesso da gestão passiva depende de uma engenharia robusta na construção dos índices. Diego Roa, da FTSE Russell, explica que a padronização de dados, regras claras e metodologias replicáveis são essenciais para dar previsibilidade ao investidor. Essa transparência ajuda a explicar por que, em um horizonte de 20 anos, cerca de 80% dos gestores ativos não conseguiram superar seus índices de referência.
Outro fator relevante é a democratização do acesso. Com valores relativamente baixos, o investidor consegue exposição a centenas de ativos simultaneamente, algo inviável de forma individual. Além disso, a atuação de market makers garante liquidez e preços alinhados ao valor real dos índices, reduzindo distorções na negociação em Bolsa.
Mais recentemente, a expansão dos BDRs de ETFs ampliou o alcance da gestão passiva no Brasil. O modelo permite investir em fundos internacionais diretamente pela B3, facilitando o acesso a setores globais como tecnologia, biotecnologia e inteligência artificial. O movimento reforça que o crescimento dos ETFs não é pontual, mas parte de uma transformação estrutural na forma de investir, que aproxima o mercado brasileiro das práticas consolidadas no exterior. (Com informações do InfoMoney)









