O Ministério da Fazenda divulgou nesta sexta-feira, 6, balanço macroeconômico com as principais projeções para a economia brasileira em 2026. O documento estima crescimento de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB), em um cenário marcado pela continuidade do processo de desinflação e pelo início de um ciclo de redução da taxa básica de juros, condicionado à evolução do quadro inflacionário ao longo do ano.
De acordo com a avaliação da equipe econômica, o desempenho da atividade em 2026 deve refletir uma desaceleração do setor agropecuário, após a safra recorde registrada em 2025. Esse movimento tende a ser parcialmente compensado por uma expansão mais consistente da indústria e do setor de serviços, que devem assumir maior protagonismo na composição do crescimento econômico no próximo ano.
A projeção oficial para a inflação medida pelo IPCA é de 3,6% em 2026, abaixo dos 4,3% estimados para 2025. Apesar da trajetória de queda, a inflação projetada permanece acima do centro da meta, fixado em 3% pelo Conselho Monetário Nacional. O sistema de metas permite variação de até 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que estabelece o teto de 4,5% como limite de tolerância.
No entendimento do governo, caso a inflação mantenha trajetória de convergência ao longo do primeiro semestre de 2026, a autoridade monetária poderá ter espaço para intensificar o ritmo de redução dos juros. Esse movimento, segundo o relatório, tende a contribuir para a diminuição do custo do crédito, com efeitos sobre o consumo das famílias e os investimentos produtivos.
A Secretaria de Política Econômica atribui a evolução mais favorável dos preços a uma combinação de fatores, entre eles o excesso de oferta global de bens e combustíveis, o enfraquecimento do dólar e os efeitos defasados da política monetária. Ainda assim, o documento ressalta a existência de riscos pontuais, especialmente relacionados aos preços de alimentos, que podem ser pressionados por eventos climáticos adversos e pela menor oferta de carne bovina.
No cenário internacional, a avaliação da Fazenda é de manutenção do ritmo de crescimento global observado em 2025. O relatório projeta leve aceleração nas economias avançadas, com destaque para os Estados Unidos, e desaceleração moderada nos países emergentes. O documento destaca que tensões geopolíticas e disputas comerciais continuam sendo fatores de incerteza, com potencial impacto sobre a atividade econômica e a inflação em nível global.
Em relação às contas públicas, o governo reforça a expectativa de cumprimento da primeira meta fiscal superavitária desde a adoção do novo arcabouço fiscal. A proposta orçamentária para 2026 prevê superávit primário equivalente a 0,25% do PIB, resultado associado à recuperação da arrecadação e ao controle do crescimento das despesas.
O balanço macroeconômico também aponta que a arrecadação federal atingiu patamar recorde em 2025, impulsionada principalmente pela elevação das receitas de Imposto de Importação, Imposto de Renda e IOF. Do lado das despesas, houve crescimento real nos gastos com previdência e pessoal, enquanto programas como o Bolsa Família e os créditos extraordinários apresentaram retração.
Segundo a equipe econômica, a combinação entre crescimento moderado, inflação em trajetória de desaceleração e consolidação fiscal tende a ampliar a previsibilidade do ambiente macroeconômico em 2026. O relatório ressalta, no entanto, que o cenário permanece sujeito a riscos associados a choques externos e a eventos climáticos.








