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Mercado dos EUA mostra sinal de confiança com inclinação da curva de juros, aponta analista

Diferença entre taxas de dois e dez anos nos EUA atinge maior nível em quatro anos e indica mudança no cenário

O mercado financeiro dos Estados Unidos passou a dar sinais de mudança de percepção em relação ao cenário econômico, após a diferença entre os juros de curto prazo, com vencimento em dois anos, e os de longo prazo, com vencimento em dez anos, atingir o maior nível em cerca de quatro anos. O movimento, conhecido como inclinação da curva de juros, indica uma alteração gradual no comportamento dos investidores, que passam a olhar com mais atenção para o horizonte de médio e longo prazo.

De acordo com Rafael Bellas, head de alocação da InvestSmart XP, a abertura dessa diferença sugere que o mercado começa a reduzir o foco nos riscos imediatos e a precificar um ambiente econômico mais estável à frente. Em condições consideradas normais, os juros de prazos mais longos tendem a ser superiores aos de prazos curtos, justamente por incorporarem as incertezas associadas ao tempo.

Nos últimos anos, essa relação ficou distorcida, com as taxas de curto prazo se aproximando ou até superando as de longo prazo, refletindo cautela elevada e preocupações com o ritmo da atividade econômica. Agora, segundo o analista, esse comportamento começa a se reorganizar. A abertura da diferença entre os vencimentos não era observada desde o início de 2022, o que indica um mercado mais disposto a considerar cenários de crescimento e estabilidade no futuro.

Na avaliação de Bellas, a inclinação da curva costuma estar associada a uma percepção mais construtiva sobre a economia americana. Quando esse movimento ocorre, os investidores tendem a enxergar menor risco de desaceleração abrupta e maior probabilidade de um ciclo econômico mais equilibrado. Como os Estados Unidos exercem forte influência sobre o fluxo global de capitais, esse tipo de sinal pode ampliar a disposição dos investidores internacionais em buscar oportunidades fora do eixo central, incluindo mercados emergentes como o Brasil.

O analista destaca ainda que a mudança também tem efeitos sobre o dólar e sobre a precificação de ativos de renda fixa em diferentes países, influenciando decisões de alocação entre classes de ativos. Na leitura da InvestSmart XP, trata-se menos de uma virada brusca de cenário e mais de um ajuste gradual nas expectativas, que ajuda a explicar a percepção de maior confiança do mercado global no médio e longo prazo.

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