O debate sobre mudanças no funcionamento do Fundo Garantidor de Créditos ganhou força após o episódio envolvendo o Banco Master. Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, está em andamento uma discussão sobre uma reforma de caráter mais estrutural no FGC, com participação de técnicos do Banco Central do Brasil e representantes do sistema financeiro regulado.
Em declaração feita durante evento promovido pelo BTG Pactual, em São Paulo, Haddad afirmou que o objetivo das conversas é buscar um ponto de equilíbrio entre a preservação da concorrência no sistema financeiro e o fortalecimento das regras que regem o fundo. Segundo ele, há preocupação de que restrições excessivas possam limitar a competição, mas também consenso de que o arcabouço atual apresentou falhas relevantes.
De acordo com o ministro, a experiência recente mostrou que determinadas brechas regulatórias permitiram práticas que não deveriam se repetir. Para Haddad, a legislação vigente não foi suficientemente robusta para impedir uma operação que acabou assumindo proporções elevadas e gerando riscos relevantes, ainda que não sistêmicos.
O ministro destacou que, embora o episódio não tenha provocado instabilidade generalizada no sistema financeiro, os desdobramentos atingiram mais de uma instituição, o que reforça a necessidade de ajustes. Na avaliação dele, o aprendizado com o caso deve servir para aperfeiçoar as regras e reduzir a probabilidade de situações semelhantes no futuro.
Haddad também afirmou que o tamanho alcançado pelo escândalo do Banco Master levanta questionamentos que ainda precisam ser esclarecidos. Segundo o ministro, será necessário identificar responsabilidades e compreender como a operação atingiu tal escala antes de ser interrompida.
Para o titular da Fazenda, a revisão do FGC é uma resposta à necessidade de evitar que o sistema volte a enfrentar um episódio semelhante. Ele ressaltou que o objetivo não é desfigurar o mecanismo de proteção aos depositantes, mas corrigir falhas que permitiram condutas consideradas inadequadas e de alto risco.
As discussões seguem em andamento e ainda não há definição sobre o formato ou o alcance das mudanças. Haddad indicou que o diálogo entre autoridades e o mercado continuará nos próximos meses, com foco em reforçar a solidez do sistema financeiro sem comprometer seu funcionamento competitivo.









