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Agibank capta US$ 276 milhões em IPO nos EUA

Oferta foi integralmente primária após reestruturação da operação

O Agibank concluiu sua oferta inicial de ações nos Estados Unidos e levantou US$ 276 milhões, considerando a colocação do lote suplementar. A operação foi precificada em US$ 12 por ação e marca a segunda abertura de capital de uma companhia brasileira no mercado norte-americano após um intervalo superior a quatro anos sem estreias no exterior.

Para viabilizar a transação, a instituição promoveu mudanças relevantes na estrutura originalmente proposta. A faixa indicativa de preço foi reduzida para o intervalo entre US$ 12 e US$ 13, ante uma estimativa anterior que variava de US$ 15 a US$ 18 por papel. Também houve corte de aproximadamente metade do número de ações inicialmente previsto, além da decisão de tornar a oferta integralmente primária, direcionando os recursos diretamente ao caixa do banco.

Com a reformulação, investidores já presentes na base acionária, como os fundos Vinci Compass e Lumina Capital, permanecem como acionistas relevantes. A Lumina havia realizado aporte de R$ 400 milhões em 2024, quando o banco foi avaliado em R$ 9,3 bilhões.

O ambiente de mercado influenciou a condução da oferta. A volatilidade recente em ações de tecnologia e a queda acumulada dos papéis do PicPay após sua listagem em Nova York foram apontadas por fontes como fatores que exigiram maior cautela na precificação. Diferentemente do PicPay, que contou com investidor âncora na largada da oferta, o Agibank não teve apoio formal desse tipo.

Os papéis do banco passam a ser negociados na New York Stock Exchange sob o ticker AGBK. A operação foi coordenada por instituições como Goldman Sachs, Morgan Stanley e Citi, além de contar com a participação de BTG Pactual, Itaú BBA, Santander, Société Générale e XP.

O banco enfrentou desafios regulatórios recentes. No fim do ano passado, houve suspensão temporária de novos créditos consignados vinculados ao INSS, modalidade que representava cerca de 9% da carteira de crédito da instituição no terceiro trimestre.

Segundo o prospecto da oferta, os recursos captados serão destinados principalmente à expansão da carteira de crédito e à possível aquisição de empresas de tecnologia, em linha com a estratégia de crescimento orgânico e inorgânico.

Fundado em 1999 por Marciano Testa, inicialmente sob a marca Agiplan, o banco afirma ter atualmente 6,4 milhões de clientes ativos. Nos nove primeiros meses de 2025, registrou receita de R$ 9,9 bilhões e lucro de R$ 1,0 bilhão. A carteira de crédito soma R$ 34,5 bilhões, enquanto a rede física conta com cerca de 1,1 mil pontos de atendimento distribuídos pelo país.

A conclusão da oferta reforça a retomada gradual de operações de abertura de capital envolvendo empresas brasileiras no exterior. A expectativa no mercado é que o movimento também se reflita no mercado doméstico ao longo deste ano, após o período prolongado de baixa atividade em IPOs.

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