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Banco do Brasil lucra R$ 5,7 bilhões no 4T25 e supera expectativas

Resultado do BB é pressionado por inadimplência no agro e novas regras de provisão

O Banco do Brasil encerrou o quarto trimestre de 2025 com lucro líquido ajustado de R$ 5,7 bilhões, resultado 40% inferior ao registrado no mesmo período de 2024, segundo documento encaminhado ao mercado nesta quarta-feira (11). Apesar da queda anual expressiva, o desempenho superou as estimativas de analistas consultados pela Bloomberg, cuja mediana apontava lucro de R$ 4,5 bilhões. Na comparação com o terceiro trimestre, houve avanço de 51%.

O resultado ocorre em meio a um ambiente de maior pressão sobre a qualidade da carteira de crédito, especialmente no agronegócio, segmento no qual o banco mantém forte presença. Desde o terceiro trimestre do ano passado, a instituição vem registrando deterioração nos indicadores ligados ao setor, que enfrenta aumento no número de pedidos de recuperação judicial.

Dados da Serasa Experian indicam que 8,3% da população rural estava inadimplente no período, percentual 0,9 ponto percentual superior ao observado no mesmo trimestre de 2024. A piora no ambiente do agro se soma à entrada em vigor da Resolução nº 4.966/2021 do Conselho Monetário Nacional (CMN), que alterou critérios de classificação de risco e exigiu reforço nas provisões para perdas esperadas.

A nova regra elevou o nível de exigência sobre os bancos ao determinar critérios mais rigorosos para constituição de provisões, o que pressionou os resultados contábeis. O Banco do Brasil já vinha ajustando suas estimativas desde o segundo semestre, diante do aumento do risco percebido em determinados segmentos da carteira.

A rentabilidade também foi impactada. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) encerrou o trimestre em 12,4%, recuo de 8,4 pontos percentuais na comparação anual. Em relação ao terceiro trimestre, houve recuperação de quatro pontos percentuais. Ainda assim, o indicador ficou abaixo do patamar de 20% que historicamente servia como referência para parte do mercado e abaixo dos níveis reportados por grandes bancos privados no mesmo período.

No quarto trimestre, o Itaú registrou ROE de 24%, o Santander alcançou 17,5% e o Bradesco encerrou o período com 15,2%. A diferença reflete, em parte, a exposição distinta ao crédito rural e a estrutura de provisões adotada por cada instituição.

A combinação entre aumento da inadimplência no agronegócio, mudanças regulatórias e reforço das provisões alterou a percepção sobre o banco ao longo de 2025, levando investidores a revisarem expectativas sobre rentabilidade e crescimento no curto prazo. Ainda assim, o resultado acima do consenso no quarto trimestre reduziu parte das incertezas em relação ao desempenho imediato da instituição.

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