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Comércio inicia 2026 em queda, com retração anual de 5,9%

Endividamento e juros elevados seguem pressionando o consumo

As vendas do comércio varejista brasileiro registraram retração de 1,3% em janeiro na comparação com o mês anterior, segundo dados do Índice do Varejo Stone (IVS), elaborado pela Stone. Em relação a janeiro do ano passado, a queda foi de 5,9%, indicando início de ano marcado por desaceleração da atividade.

O levantamento, que acompanha mensalmente a movimentação do varejo no país, aponta que o consumo permanece pressionado por um ambiente financeiro considerado restritivo. De acordo com Guilherme Freitas, economista e pesquisador da Stone, apesar de o mercado de trabalho ainda apresentar indicadores favoráveis e sustentar a renda, já são observados sinais de moderação.

Segundo ele, o nível elevado da taxa de juros, o encarecimento do crédito e o patamar historicamente alto de endividamento das famílias continuam limitando o espaço para novas compras. A retração tanto na comparação mensal quanto anual indica que o setor começou 2026 em nível inferior ao registrado no início do ano anterior.

No detalhamento por segmentos, apenas um dos oito analisados apresentou crescimento no mês. O grupo que reúne hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo avançou 1,4%, movimento influenciado pela deflação recente da alimentação no domicílio. Nos demais setores, foram observadas quedas em artigos farmacêuticos e combustíveis e lubrificantes, ambos com retração de 5,6%, material de construção, com recuo de 3,3%, livros, jornais, revistas e papelaria, com queda de 1,9%, e outros artigos de uso pessoal e doméstico, com retração de 1,5%. Móveis e eletrodomésticos registraram variação negativa de 0,3%, enquanto tecidos, vestuário e calçados permaneceram estáveis na comparação mensal.

No confronto anual, todos os oito segmentos analisados apresentaram retração. A maior queda foi registrada em combustíveis e lubrificantes, com recuo de 15,1%. Artigos farmacêuticos tiveram queda de 7,5%, seguidos por tecidos, vestuário e calçados, com 6,7%. Livros, jornais, revistas e papelaria recuaram 5,5%, material de construção caiu 4,7% e outros artigos de uso pessoal e doméstico diminuíram 4,6%. O grupo de hipermercados e supermercados teve retração de 4,2%, enquanto móveis e eletrodomésticos registraram queda de 2,3%.

A desaceleração também se refletiu no recorte regional. Apenas o Amapá apresentou crescimento na comparação anual, com avanço de 2,9%. Nos demais estados, as vendas recuaram, com as maiores retrações observadas no Rio Grande do Sul, com queda de 10,2%, Rio Grande do Norte, com 7,6%, e Amazonas, com 7,3%. Santa Catarina apresentou recuo de 6,5%, enquanto São Paulo e Distrito Federal registraram queda de 6,4%. Espírito Santo recuou 6,2% e Tocantins, 5,8%. Paraíba, Mato Grosso, Ceará, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Paraná também registraram retrações superiores a 4%. Outros estados apresentaram quedas mais moderadas, mas ainda negativas.

Segundo a avaliação da Stone, o desempenho regional reforça que a desaceleração do consumo foi disseminada pelo país. Estados que haviam apresentado resultados mais favoráveis em meses anteriores passaram a registrar retração, refletindo o impacto do endividamento elevado das famílias e do custo do crédito sobre as decisões de compra.

O cenário descrito pelo índice indica que o varejo inicia 2026 sob condições financeiras ainda restritivas, com efeitos amplos sobre diferentes segmentos e regiões.

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