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BB prevê gestão estratégica da carteira após alta da inadimplência rural

Presidente do BB aponta desafio no agro e reforça rebalanceamento da carteira

A presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, afirmou que 2026 deverá manter o ambiente desafiador observado em 2025, mas dentro de um contexto já assimilado pela instituição. Em teleconferência com analistas para comentar os resultados do quarto trimestre de 2025 e do exercício anual, a executiva destacou que a gestão do crédito continuará sendo conduzida de forma estratégica, com atenção redobrada à qualidade da carteira.

Segundo Tarciana, o banco seguirá próximo ao agronegócio, setor com o qual mantém relação histórica, ainda que a inadimplência rural tenha apresentado crescimento relevante em 2025 em comparação à média dos anos anteriores. A executiva afirmou que a instituição utilizará modelos de risco já consolidados e dará continuidade ao rebalanceamento do mix da carteira para enfrentar o cenário.

Ao comentar o guidance para 2026, Tarciana reconheceu que cumprir as metas projetadas exigirá disciplina, especialmente diante das dificuldades observadas em determinadas linhas de crédito, como as ligadas ao agro. Ela ressaltou que o crescimento recente esteve concentrado em produtos com melhor retorno ajustado ao risco, citando como exemplo o Crédito do Trabalhador, que movimentou R$ 13 bilhões no período.

A presidente também destacou a consolidação de segmentos como Private e Estilo e afirmou que o banco pretende ampliar a atuação em nichos considerados estratégicos. No segmento de assessoria de investimentos, mencionou avanço de 20% em determinadas praças ao longo do ano.

O diretor de riscos (CRO), Felipe Prince, comentou o aumento dos pedidos de recuperação judicial entre clientes da instituição, apontando que a maior parte do impacto em 2025 esteve concentrada no agronegócio. Ele afirmou que o banco intensificou medidas de litígio para resguardar seus direitos e citou a expectativa de desaceleração no crescimento de novos casos ao longo de 2026.

De acordo com Prince, cerca de 70% dos valores relacionados a recuperações judiciais já estão provisionados. Ele afirmou que eventuais casos que possam surgir em 2026 já foram considerados nas projeções divulgadas ao mercado e que os processos atualmente refletidos no balanço contam com provisões consideradas adequadas pela administração.

As declarações ocorreram após a divulgação do resultado do quarto trimestre, que evidenciou pressão sobre indicadores de rentabilidade em meio ao aumento das provisões e ao ambiente mais desafiador para o crédito rural.

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