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Empresa ligada a cunhado de Vorcaro fez pagamentos a Dias Toffoli

PF solicita suspeição após perícia encontrar conversas e menções ao ministro em mensagens ligadas a Vorcaro

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli passou a ser citado em reportagens que relacionam sua suposta participação societária, por meio de uma empresa dirigida por seus irmãos, a negócios envolvendo fundos de investimento ligados a Fabiano Zettel, apontado como cunhado e operador financeiro de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A discussão ganhou novo contorno após a divulgação de que a Polícia Federal solicitou a suspeição do ministro na condução das investigações que envolvem a liquidação da instituição financeira.

De acordo com as informações publicadas, Toffoli seria sócio anônimo da Maridt, uma sociedade anônima cujos acionistas não aparecem em registros públicos. A empresa é dirigida por dois irmãos do ministro e teria mantido participação em negócios ligados a dois resorts da rede Tayayá, no Paraná. A fatia teria sido posteriormente vendida a fundos de investimento que, segundo as reportagens, tinham como acionista Fabiano Zettel. O material jornalístico afirma que, por conta dessa participação, o ministro teria recebido dividendos, com transações declaradas à Receita Federal.

As mesmas publicações indicam que pessoas próximas ao ministro relatariam que ele reconhece a existência dessa participação formal. O conteúdo também menciona que o jornal teria ouvido fontes e pessoas que afirmam ter tratado com o ministro sobre temas relacionados ao empreendimento, além de advogado que teria atuado junto ao resort.

O tema voltou ao centro do caso após a divulgação de que a Polícia Federal apresentou pedido de suspeição, sob o argumento de que a perícia realizada em aparelho apreendido identificou conversas entre Vorcaro e o ministro e menções ao magistrado em mensagens trocadas pelo banqueiro com terceiros. Segundo relatos atribuídos a pessoas envolvidas na investigação, a presença dessas referências reforçaria a permanência do caso no STF e ampliaria a pressão institucional em torno da relatoria.

Em nota divulgada após a informação do pedido, Toffoli afirmou que a Polícia Federal não tem atribuição legal para requerer o afastamento de ministro do STF e sustentou que o pleito se basearia em ilações. Segundo a reportagem, o ministro também teria conversado sobre o assunto com o presidente do STF, Edson Fachin, a quem caberia receber o pedido de suspeição. Ainda de acordo com os relatos publicados, Toffoli teria reafirmado a intenção de permanecer como relator e argumentado que não teria praticado irregularidades.

A condução do inquérito sob sua relatoria também passou a ser mencionada nas reportagens por decisões relativas ao acesso ao celular de Vorcaro. Entre os pontos citados estão a determinação de lacre do aparelho e a definição de peritos para a análise do conteúdo, medidas descritas como incomuns no âmbito de investigações penais, onde a apuração técnica costuma ser conduzida pela Polícia Federal.

As reportagens mencionam ainda que, em 2021, a Maridt teria vendido participações nas empresas ligadas ao resort ao fundo Arleen, gerido pela Reag Investimentos e associado a Fabiano Zettel, com aportes que teriam alcançado R$ 20 milhões. Posteriormente, segundo o material publicado, as cotas teriam sido transferidas e, atualmente, nem os familiares do ministro nem o fundo permaneceriam formalmente na sociedade do empreendimento.

Procurado, o ministro afirmou, por meio de nota, que discorda do pedido de suspeição e defendeu que a apuração siga os ritos legais. A defesa de Daniel Vorcaro, também em nota, criticou o que chamou de vazamento seletivo de informações e disse que divulgações parciais podem gerar interpretações inadequadas e constranger indevidamente os envolvidos. O caso segue em tramitação no Supremo Tribunal Federal.

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