O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) informou que realizará o pagamento antecipado de garantias a clientes do Will Bank, cuja liquidação extrajudicial foi decretada pelo Banco Central do Brasil em 21 de janeiro. Pela regra usual, o fundo aguarda o envio, pelo liquidante, da lista consolidada de credores elegíveis à cobertura antes de iniciar os pagamentos. No caso do Will, porém, o FGC decidiu antecipar parte dos ressarcimentos em razão do perfil da base de clientes.
Serão contemplados, nesta etapa, clientes diretos do Will com valores de até R$ 1 mil a receber e que possuam depósitos elegíveis à garantia. A estimativa é que aproximadamente 6 milhões de pessoas possam ser beneficiadas. O pedido poderá ser feito diretamente pelo aplicativo do próprio Will Bank.
O FGC esclareceu que clientes que contrataram produtos elegíveis por meio de plataformas de distribuição de investimentos, assim como aqueles com valores superiores a R$ 1 mil, não poderão utilizar o aplicativo do Will para solicitar o ressarcimento. Nesses casos, o procedimento deverá ser realizado pelo aplicativo do FGC, após a conclusão da consolidação da lista oficial de credores.
Além das garantias relativas a depósitos cobertos, os clientes também receberão os valores referentes aos saldos mantidos em contas de pagamento, caracterizadas como moeda eletrônica. Esse montante será liberado igualmente pelo aplicativo do Will. Segundo o FGC, o desembolso estimado nesta antecipação é de cerca de R$ 200 milhões, enquanto os saldos das contas de pagamento somam aproximadamente R$ 25 milhões. Para movimentação, os recursos deverão ser transferidos para conta de mesma titularidade.
O Will operava com foco em clientes de menor renda e não possuía licença bancária plena, atuando como instituição financeira e de pagamento. Nesse modelo, os saldos das contas de pagamento são obrigatoriamente mantidos em conta específica no Banco Central, o que garante a segregação dos recursos dos clientes.
Durante evento promovido pela Associação Brasileira de Bancos, o diretor de Regulação do Banco Central, Gilneu Vivan, afirmou que o ressarcimento aos clientes do Will representa um teste relevante para o modelo das contas pré-pagas, destacando que os valores permanecem reservados em conta no BC.
O Will integrava o conglomerado do Banco Master, também submetido à liquidação. Até esta sexta-feira, o FGC informou ter pago R$ 37 bilhões em garantias a credores do conglomerado, o equivalente a 91% do total previsto. Cerca de 647 mil credores já receberam os valores, enquanto aproximadamente 9% ainda não iniciaram o processo de solicitação.










