Quase 28 mil contratos firmados, presença em 754 municípios e impacto direto em 22 Estados. Esse é o alcance do programa de liquidação e renegociação de dívidas rurais operado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao longo de pouco menos de quatro meses de vigência. No período, foram aprovados R$ 7,5 bilhões em operações voltadas a produtores e cooperativas agropecuárias atingidos por eventos climáticos recorrentes.
A linha foi estruturada com recursos do Tesouro Nacional dentro da Medida Provisória nº 1.314, publicada em outubro de 2025. O desenho da política permitiu a prorrogação ou liquidação de débitos vinculados a crédito rural de custeio, investimento e Cédulas de Produto Rural, desde que comprovado impacto climático em duas ou mais safras. O prazo para adesão terminou em 10 de fevereiro, embora o volume total disponibilizado pudesse chegar a R$ 12 bilhões.
Do total aprovado, R$ 4,8 bilhões foram direcionados a agricultores familiares e produtores de médio porte enquadrados no Programa Nacional de Agricultura Familiar e no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural. Essa parcela correspondeu a 25.041 operações e esgotou a reserva de 40% dos recursos originalmente destinada a essas categorias. Outros R$ 2,7 bilhões foram contratados por produtores fora desses programas, somando 2.755 operações.
O tíquete médio dos contratos ficou próximo de R$ 270 mil. As condições financeiras incluíram prazo de pagamento de até nove anos, com um ano de carência. Segundo o banco, a estrutura buscou oferecer fôlego financeiro a produtores localizados em municípios reconhecidos pelo governo federal como áreas de recorrência de eventos climáticos adversos.
Em nota, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que a linha permitiu reorganização financeira de produtores e retomada da atividade produtiva. Ele também mencionou efeitos indiretos sobre preços de alimentos no segundo semestre de 2025.










