O dólar recuou nesta segunda-feira para cerca de R$ 5,16 no mercado à vista, o menor nível desde maio de 2024, em um movimento explicado por uma combinação de fatores externos, técnicos e domésticos. A leitura é de Jaqueline Neo, especialista de câmbio e crédito da be.smart, ao analisar a dinâmica recente do fluxo cambial.
No ambiente macro internacional, a analista aponta como principal vetor a nova rodada tarifária anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que elevou de 10% para 15% a tarifa de importação aplicada de forma ampla. A medida veio após decisão da Suprema Corte que limitou um programa tarifário mais abrangente, introduzindo ruído institucional e reduzindo, no curto prazo, a demanda por dólar como ativo defensivo.
Sob a ótica técnica, Jaqueline Neo destaca o rompimento do suporte em R$ 5,20, faixa que concentrava posições compradas relevantes. A perda desse nível acionou ajustes de portfólio e amplificou a apreciação do real, com redução tática da exposição à moeda americana por parte de investidores.
Do ponto de vista estrutural, o diferencial de juros segue como âncora para o real. A Selic permanece elevada em termos reais, sustentando operações de carry trade e atraindo capital estrangeiro para a renda fixa doméstica. Em paralelo, um ambiente internacional de maior apetite por risco reduz a busca global por proteção cambial, favorecendo moedas de países emergentes.
As tarifas americanas, no entanto, adicionam incerteza ao cenário. Embora tenham objetivo protecionista, aumentam o risco de distorções comerciais e ampliam questionamentos sobre previsibilidade regulatória, com impactos potenciais sobre expectativas de crescimento, inflação e política monetária nos Estados Unidos, refletindo diretamente no comportamento do dólar.
Na síntese da especialista, a queda da moeda americana resulta da combinação entre ruído político externo, diferencial de juros favorável ao Brasil e gatilhos técnicos de mercado. A tendência de curto prazo permanece construtiva para o real, mas condicionada à evolução da política comercial dos EUA e à trajetória fiscal doméstica.









