A terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira (4), resultou não apenas na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, mas também no afastamento de dois servidores do Banco Central do Brasil por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Os dois funcionários já eram alvo de sindicância interna da autoridade monetária, instaurada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, no fim de 2025, para apurar responsabilidades institucionais no escândalo envolvendo o Banco Master.
Um dos afastados, identificado como Souza, foi o responsável por autorizar a compra do Banco Máxima por Daniel Vorcaro, instituição que posteriormente passou a operar sob o nome Master. Mais recentemente, atuava como chefe-adjunto do Departamento de Supervisão do BC, com atribuições de acompanhamento da solidez e da estabilidade do mercado financeiro. O outro servidor, Belline, chefiou o Departamento de Supervisão Bancária e chegou a ser cotado para ocupar a diretoria de Fiscalização da autarquia, cargo hoje exercido por Aílton de Aquino Santos.
Belline assinou documentos oficiais do Banco Central enviados ao Ministério Público Federal sobre o Master. Em um desses ofícios, relatou que uma operação suspeita de compra de carteiras fictícias de crédito pelo banco, realizada no fim de 2024, havia sido desfeita no início de 2025. Em outro trecho, registrou que o BC não havia identificado indícios de irregularidades em transações de crédito consignado originadas pela própria instituição. Um desses documentos foi posteriormente utilizado pela defesa de Vorcaro em argumentações perante a Justiça.
O escândalo do Master veio a público em 18 de novembro de 2025, quando o Banco Central decretou a liquidação da instituição, encerrou suas atividades, afastou seus administradores e bloqueou o patrimônio para pagamento de credores. Na mesma data, a Polícia Federal deflagrou operação para investigar suspeitas de fraude em uma transação de venda de carteiras de crédito com indícios de irregularidade no valor de R$ 12,2 bilhões, envolvendo o BRB, banco controlado pelo governo do Distrito Federal.
Uma investigação posterior, conduzida pela PF em parceria com o Banco Central, apontou irregularidades na relação entre o Master e a gestora Reag DTVM, liquidada em 15 de janeiro de 2026. Segundo as apurações, o banco de Vorcaro realizava empréstimos a empresas que repassavam os recursos para inflar os resultados de fundos da gestora. Os valores retornavam ao próprio Master por meio de aplicações em CDBs, completando um ciclo de transações que, segundo as investigações, tinha como objetivo mascarar a situação patrimonial da instituição.
A operação desta quarta-feira foi autorizada por André Mendonça e inclui, além das prisões e afastamentos, o bloqueio de bens de até R$ 22 bilhões, medida voltada a interromper a movimentação de ativos do grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas.









