Fernando Haddad deixou nesta quinta-feira (19) o Ministério da Fazenda após mais de três anos à frente da pasta, passando o comando a Dario Durigan, até então seu secretário-executivo. A confirmação veio do próprio Haddad em evento em São Paulo, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também anunciou oficialmente Durigan como novo ministro. À noite, Haddad deve comparecer ao Sindicato dos Metalúrgicos em São Bernardo do Campo ao lado de Lula para anunciar sua candidatura ao governo de São Paulo nas eleições deste ano, encerrando o ciclo na Fazenda com uma nova missão: construir um palanque sólido no estado mais disputado do país para garantir a reeleição de Lula.
A gestão de Haddad foi marcada por mudanças profundas no arcabouço fiscal, combate a benefícios tributários, aumento de impostos e uma narrativa consistente de maior tributação para os mais ricos com alívio para as camadas mais baixas de renda. Durigan herda uma pasta com a agenda em aberto e o ambiente político e econômico mais adverso do que aquele encontrado pelo antecessor em 2023.
O novo ministro chega à Fazenda com três frentes simultâneas de pressão. A primeira é orçamentária: o Orçamento segue comprimido por gastos obrigatórios crescentes, com pouca margem para manobra fiscal. A segunda é política: o Congresso está acuado pelo escândalo de fraudes do Banco Master e em pleno período eleitoral, ciclo que historicamente reduz o apetite do Legislativo para aprovar medidas impopulares de ajuste fiscal. A terceira é externa: a guerra no Oriente Médio pressiona os preços do petróleo, alimenta a inflação e levou o Banco Central a adotar postura mais cautelosa no ciclo de cortes da Selic, que começou nesta semana com redução de apenas 0,25 ponto percentual.
Na fila de pendências deixadas por Haddad estão temas de alta complexidade política. A limitação dos supersalários no serviço público, a reforma da previdência dos militares, a regulamentação econômica das grandes plataformas digitais e normas microeconômicas variadas seguem sem desfecho no Congresso. Durigan também terá de encaminhar ao Legislativo o projeto que regulamenta o novo Imposto Seletivo, tributo criado na reforma tributária sobre o consumo para incidir sobre bens e serviços considerados nocivos à saúde e ao meio ambiente.










