O Banco Master e a JBS transferiram juntos R$ 18 milhões para uma consultoria tributária que pagou R$ 281.630 ao filho do ministro Kássio Nunes Marques, do STF. Os repasses ao filho do ministro foram feitos em 11 transferências identificadas pelo Coaf em levantamento por amostragem sobre as movimentações da Consult Inteligência Tributária, empresa aberta em 2022 em Teresina, cidade natal de Nunes Marques, pelo empresário e contador Francisco Craveiro de Carvalho Junior.
O problema central apontado pelo Coaf é a desproporção entre o que a empresa declarava faturar e o que efetivamente movimentou. Com faturamento declarado de R$ 25,5 mil, a Consult recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master e R$ 11,3 milhões da JBS entre agosto de 2024 e julho de 2025, totalizando R$ 18 milhões que correspondem à totalidade do que entrou no caixa da empresa no período analisado. O órgão vinculado ao Ministério da Fazenda classificou as transações como incompatíveis com a capacidade financeira da empresa e apontou que os altos repasses repentinos poderiam indicar uso da firma apenas como passagem de recursos.
Kevin de Carvalho Marques, de 25 anos, único responsável pelo escritório que leva seu nome segundo registros da OAB, afirmou que os pagamentos são lícitos e decorrem do exercício regular da advocacia voltada ao fisco administrativo. O escritório do filho do ministro acrescentou que ele nunca defendeu nenhum caso no STF e rejeitou o que chamou de tentativas de criminalização da advocacia. No site sobre sua atuação que foi retirado do ar, Kevin se apresentava como advogado com um ano de experiência na OAB dedicado a entender as complexidades do sistema tributário. A JBS afirmou contratar consultores tributários como toda grande empresa brasileira e disse que a Consult presta serviços nessa área. O Master não comentou.
A Consult afirmou ter prestado serviços de auditoria e consultoria tributária, desenvolvimento e implantação de sistemas de processamento de dados e migração de dados para os grupos contratantes. Sobre a contratação de Kevin especificamente, disse apenas que os R$ 281 mil foram pagos por prestação de serviços técnicos e assessoria jurídica entre 2024 e 2025, sem detalhar o escopo do trabalho.
A trajetória societária da Consult gerou questionamentos adicionais. Em novembro de 2025, logo após os pagamentos de Master e JBS, Craveiro Junior saiu da sociedade e repassou a empresa a um irmão, negociando o recebimento de R$ 13 milhões da divisão de lucros em três parcelas até 2028. No último dia 6 de março, ele voltou a integrar o quadro societário. A empresa descreveu a movimentação como parte de uma reorganização societária do grupo.
O celular de Vorcaro apreendido pela PF contém registros de conversas com Nunes Marques, cujo número foi salvo na agenda do ex-banqueiro em junho de 2024 sob o nome Min Kassio Nunes. Fontes com acesso às investigações descrevem os diálogos como superficiais, indicando que os dois se conheciam e já haviam se encontrado, sem apontar indícios de irregularidades na relação. Nunes Marques negou proximidade com Vorcaro e disse não se recordar de trocas de mensagens além de amenidades ou eventos sociais. Vale registrar que, quando a defesa de Vorcaro pediu a remessa do caso ao STF em novembro, os advogados solicitaram que o processo fosse distribuído diretamente a Nunes Marques. A presidência da Corte determinou sorteio e o caso ficou com Dias Toffoli.
Com informações de O Estado de São Paulo










