O Grupo Mateus encerrou o quarto trimestre de 2025 com resultados que revelam uma tensão crescente entre o bom ritmo de expansão da receita e a deterioração das margens operacionais. A receita líquida avançou 20,9% na comparação anual, chegando a R$ 10,55 bilhões, mas o Ebitda recuou 3,1% para R$ 612,5 milhões, com a margem encolhendo de 7,2% para 5,8%. O lucro líquido somou R$ 324,2 milhões, crescimento modesto de 2,2% ante o mesmo período de 2024.
Dois fatores pesaram sobre os resultados. As despesas operacionais totais subiram 38,4%, ritmo muito acima do crescimento da receita, sinalizando pressão de custos estrutural. O resultado financeiro líquido piorou de forma expressiva, acumulando R$ 306,7 milhões em perdas, alta de 88,5% na comparação anual, reflexo do ambiente de juros elevados que encarece o serviço da dívida e pressiona companhias com operações intensivas em capital como as de varejo alimentar. O custo das mercadorias vendidas e serviços prestados somou R$ 8,17 bilhões, crescimento de 19,9%, em linha com a expansão da receita.
No âmbito operacional, o indicador de vendas nas mesmas lojas, que mede o desempenho de unidades com mais de 12 meses de funcionamento e é considerado termômetro da saúde orgânica do negócio, ficou negativo em 1,1% no trimestre, com desempenho fraco em todos os formatos da rede. A abertura de nove lojas no período elevou o total para 302 unidades ao final de 2025. A dívida líquida recuou de R$ 1,44 bilhão no final de setembro para R$ 1,06 bilhão em dezembro, com o índice de alavancagem caindo de 0,51 para 0,41 vez.
No acumulado do ano, o quadro é mais favorável: lucro de R$ 1,83 bilhão, alta de 43,7%, e receita de R$ 38,42 bilhões, crescimento de 19,8% frente a 2024, resultados que refletem a expansão acelerada da rede ao longo de 2025.









