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Especialista aponta fatores globais por trás das oscilações do dólar

Especialista vê câmbio mais sensível a fluxos externos em cenário de incerteza global

A volatilidade recente do dólar não é um movimento pontual, mas reflexo de um ambiente global em transição, marcado por incertezas simultâneas em diferentes frentes. A avaliação é de Jaqueline Neo, especialista em câmbio e crédito da be.smart, que identifica três vetores principais por trás do comportamento da moeda americana em 2026.

Segundo a especialista, o cenário atual combina tensões geopolíticas persistentes, mudanças na política comercial dos Estados Unidos e desafios enfrentados pelos bancos centrais no processo de desinflação. Esse conjunto de fatores cria um ambiente de instabilidade estrutural, no qual o câmbio passa a reagir com maior intensidade a eventos globais.

Na leitura de Jaqueline Neo, o dólar segue desempenhando o papel central de ativo de proteção. Em momentos de aversão ao risco, ocorre uma migração natural de capitais para ativos denominados na moeda americana, o que explica episódios de valorização rápida. Por outro lado, sinais de arrefecimento inflacionário nos Estados Unidos ou de flexibilização monetária tendem a provocar movimentos de correção igualmente intensos, criando um padrão de oscilação mais acentuado.

A especialista destaca ainda que a reconfiguração das cadeias globais de produção, aliada ao avanço de políticas tarifárias, introduz novas distorções no comércio internacional. Esse processo eleva custos, pressiona expectativas de inflação e aumenta a incerteza sobre a trajetória dos juros globais, fatores que se refletem diretamente na dinâmica cambial.

Para economias emergentes, como o Brasil, o efeito é amplificado pela maior sensibilidade aos fluxos externos. Segundo Neo, episódios de estresse no câmbio tendem a se tornar mais frequentes, à medida que investidores ajustam suas posições diante de mudanças no cenário internacional.

Na avaliação da especialista, a tendência é de manutenção desse ambiente de volatilidade no curto e médio prazo. A estabilização do câmbio dependerá, sobretudo, de maior clareza sobre a condução da política monetária nos Estados Unidos e de uma redução consistente das incertezas geopolíticas globais.

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