Por Letícia Bogéa – Analista de Economia do Boletim Nacional
O Banco Central iniciou o primeiro corte de juros em quase dois anos ao reduzir a Selic para 14,75%, na última quarta-feira (18), após meses estacionada em 15% alcançado em junho de 2025, o maior nível desde 2006. O movimento é pequeno, mas sinaliza o início de um possível ciclo de queda, ainda conduzido com cautela diante de riscos internos e do cenário global.
A decisão ocorre em meio às incertezas externas, especialmente ligadas às tensões no Oriente Médio, que mantêm pressão sobre expectativas de inflação. Nesse contexto, o Banco Central avançou, mas de forma cautelosa. O mercado projeta Selic em 12,25% no fim de 2026, com um dólar mais comportado e inflação em desaceleração.
Muitos investidores escolhem sair da renda fixa para ir para renda variável, já que o retorno em ativos da renda variável performam melhor em um cenário de queda de juros. Mas, mais uma vez, faço o alerta: a diversificação e o seu plano de investimento são fundamentais para seu resultado. Se sua estratégia estiver bem definida, oscilação nenhuma de mercado vai alterar na sua totalidade a dinâmica dos seus retornos.
Produtos da renda fixa atrelados ao CDI seguem relevantes no curto prazo, mas tendem a perder espaço ao longo do ciclo nesse cenário. Na renda variável, a bolsa tende a se beneficiar desse ambiente (sobe mais), e os fundos imobiliários também se valorizam, com dividendos mais atrativos. Ainda assim, o cenário não é linear. A estratégia mais eficiente continua sendo a diversificação, equilibrando renda fixa, renda variável e ativos no exterior.
O ciclo de cortes iniciou, mas o diferencial não está no movimento da Selic, está na forma como você se posiciona. Sem estratégia, a queda ou alta dos juros apenas muda o cenário, mas não melhora seus resultados. Com estratégia, cada ciclo passa a ser oportunidade de retorno.









