O querosene de aviação, combustível que responde por cerca de 30% dos custos das companhias aéreas brasileiras e pode chegar a 50% em momentos de pressão, pode ficar entre 70% e 80% mais caro em abril. A projeção vem de fontes próximas às operações da Petrobras, que anunciará o ajuste da tabela mensal ainda nesta semana.
O reajuste se somaria à alta de quase 10% já aplicada na virada de fevereiro para março, período em que o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã começou a contaminar os mercados de energia.
A metodologia da Petrobras para precificar o QAV leva em conta principalmente duas referências internacionais que dispararam desde o início da guerra. O petróleo tipo Brent, uma delas, subiu 49,8% desde os primeiros ataques em 28 de fevereiro.
O heating oil, derivado de petróleo usado como referência para combustíveis pesados e também acompanhado pelo setor aéreo, avançou cerca de 71% no mesmo período. Como ambos os movimentos ocorreram após o último anúncio de reajuste do QAV, feito em 27 de fevereiro, a tendência é que sejam incorporados integralmente no preço de abril.
O preço atual de R$ 3,58 por litro ainda está abaixo do patamar de R$ 5,08 registrado no fim de 2022, quando o combustível disparou diante dos temores em torno da invasão russa da Ucrânia. Isso significa que, mesmo com uma alta de 70% a 80%, o QAV estaria voltando a um nível de preço já vivido pelo setor, mas a velocidade do ajuste e sua concentração num único mês criam um desafio operacional diferente para as companhias aéreas.
O Ministério de Portos e Aeroportos enviou neste fim de semana um ofício à Petrobras tentando sensibilizar a estatal sobre os efeitos de um aumento repentino nos preços para as tarifas ao consumidor e para a manutenção de rotas regionais no país.
O documento também foi encaminhado aos ministérios de Minas e Energia e da Casa Civil. A equipe do ministério elaborou ainda três sugestões para a Fazenda buscando reduzir os impactos da alta sobre as companhias e os passageiros, mas ainda não recebeu resposta.
Os efeitos práticos de um reajuste dessa magnitude sobre o sistema aéreo brasileiro são variados. O encarecimento das passagens é o impacto mais imediato e direto.
Mas há riscos mais estruturais: companhias podem cortar rotas consideradas menos rentáveis e cidades de menor porte, que dependem de uma ou duas linhas para manter conectividade aérea, podem ficar sem atendimento contínuo.
A pressão é especialmente intensa para as rotas regionais, onde a competição é menor e a capacidade de absorver custos mais limitada.










