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Itaúsa pode render mais dividendos que o próprio Itaú segundo análise do Goldman Sachs

Com payout de 71% esperado no Itaú em 2026, o Goldman projeta dividend yield de 8,5% na ITSA4 contra 7,3% no ITUB4

O Goldman Sachs iniciou cobertura das ações da Itaúsa com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 16,90. Na avaliação do banco, a Itaúsa reúne hoje duas fontes distintas de retorno que justificam a entrada na ação: uma mudança estrutural em curso que deve reduzir o desconto histórico da holding e uma vantagem imediata de dividendos em relação ao investimento direto no Itaú Unibanco.

Para entender a tese do Goldman, é preciso compreender o que é o desconto de holding e por que ele existe. Quando uma empresa como a Itaúsa detém participações em outras companhias, suas ações costumam negociar abaixo do valor real dos ativos que ela controla.

No caso da Itaúsa, esse desconto hoje está em 19,1%, já reduzido 320 pontos-base no ano após a valorização de 25% de ITSA4, desempenho que superou tanto os 21% do Ibovespa quanto os 16% do próprio Itaú no mesmo período.

O Goldman aponta que parte desse desconto decorre de uma ineficiência tributária específica: quando os dividendos do Itaú passam pela Itaúsa antes de chegar ao acionista final, há uma fricção de PIS/Cofins que corrói parte do valor distribuído.
O banco acredita que essa ineficiência será eliminada.

Segundo o Goldman, as mudanças previstas na reforma tributária sobre o PIS/Cofins devem reduzir gradualmente essa perda fiscal a partir de 2027, o que pode comprimir o desconto em até 7 pontos percentuais. Com isso, o Goldman estabelece um desconto justo de 15% para a holding, ante os 22% históricos, e projeta que a convergência para esse patamar impulsionará a valorização das ações.

O desconto residual de 15%, na avaliação dos analistas, reflete fatores estruturais permanentes como diferença de liquidez e alocação de capital, componentes que não desaparecem com a mudança tributária mas que já estão precificados nos modelos do banco.

Enquanto esse ajuste estrutural não acontece, o Goldman destaca que a Itaúsa já oferece vantagem concreta sobre o investimento direto em ITUB4 no campo dos dividendos.

A política da holding é repassar integralmente aos seus acionistas todos os proventos recebidos do Itaú, sem reter recursos. O banco projeta que o Itaú distribuirá cerca de R$ 36 bilhões em dividendos e JCP em 2026, equivalente a payout de 71%, mesma magnitude do ano anterior.

Todo esse fluxo chega ao acionista da Itaúsa com perda mínima. O Goldman calcula que, dado o desconto atual de 19,1%, o yield efetivo em ITSA4 será de aproximadamente 8,5% em 2026, contra 7,3% estimado para ITUB4 direto. “Na nossa visão, a Itaúsa é o veículo mais atrativo para capturar esse fluxo de dividendos”, escreveram os analistas do banco.

O Goldman também aponta que o Bradesco BBI retomou cobertura da Itaúsa em março com recomendação de compra e expectativa de valorização de 15%, convergindo com a visão positiva sobre o papel, ainda que com alvo menos ambicioso.

O principal risco identificado pelo Goldman é regulatório. Toda a tese de compressão do desconto depende da aprovação e implementação bem-sucedida das mudanças no PIS/Cofins. Qualquer atraso, diluição ou reversão das alterações previstas na reforma tributária manteria a ineficiência fiscal intacta, preservaria o desconto em patamares mais elevados e impediria a convergência para os 15% que o banco considera justo.

Os analistas do Goldman são explícitos sobre essa dependência e classificam o risco regulatório como a principal preocupação de curto prazo para a tese.

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