A B3 registrou R$ 1,5 bilhão em negociações de Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B) no primeiro mês de funcionamento de sua nova ferramenta de leilões eletrônicos. Disponível no Trademate, plataforma de negociação de renda fixa da bolsa brasileira, o mecanismo foi desenvolvido para ampliar a liquidez e melhorar a formação de preços dos títulos públicos vinculados à inflação.
Além do volume movimentado diretamente nos leilões, a iniciativa foi acompanhada por R$ 8,9 bilhões em operações realizadas com os mesmos títulos após o encerramento das sessões, ao longo do período analisado. Segundo a B3, o resultado indica que a concentração de ofertas contribuiu para estimular negociações adicionais no mercado secundário.
As NTN-B são títulos públicos cuja remuneração está vinculada à inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), acrescida de uma taxa de juros real. No mercado secundário, esses papéis são negociados entre investidores após sua emissão pelo Tesouro Nacional, com preços sujeitos às condições de oferta e demanda.
A nova funcionalidade busca reduzir a fragmentação desse mercado, no qual operações tradicionalmente ocorrem em diferentes instituições e horários. Ao reunir ordens de compra e venda em períodos determinados, a B3 pretende aumentar a probabilidade de execução dos negócios e oferecer referências de preços mais representativas.
O sistema funciona por meio de sessões de negociação conhecidas como calls. Durante uma janela previamente anunciada, bancos, corretoras e demais participantes registram suas ofertas de compra e venda. Ao término do período, a plataforma calcula automaticamente o preço que permite executar o maior volume possível de operações e divulga o resultado aos participantes.
Segundo Fernando Bianchini, superintendente de Produtos de Renda Fixa da B3, a concentração das negociações contribui para enfrentar uma das principais limitações do mercado secundário de títulos públicos.
“O mercado secundário de títulos públicos ainda é bastante fragmentado. Quando conseguimos reunir compradores e vendedores em um mesmo momento, aumentamos a liquidez, facilitamos a execução dos negócios e melhoramos a formação de preços”, afirmou o executivo.
A formação de um preço único ao final de cada sessão também amplia a transparência das negociações, ao reunir diferentes intenções de compra e venda em um mesmo ambiente eletrônico. Dessa forma, o valor resultante tende a refletir de maneira mais abrangente as condições de mercado para os vencimentos negociados.
A B3 destaca ainda a participação de formadores de mercado, bancos e corretoras, instituições que contribuem para a oferta de liquidez e para o aumento do volume de operações.
Os resultados do primeiro mês representam um avanço na estratégia de desenvolvimento do mercado secundário de renda fixa. Embora os R$ 8,9 bilhões negociados após os leilões não correspondam integralmente a operações executadas pelo novo mecanismo, o volume reforça a avaliação da bolsa de que a ferramenta pode favorecer a circulação dos títulos e tornar as negociações mais eficientes.









