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Caixa prevê expansão acima do esperado na carteira habitacional após novas regras do FGTS

Banco vê aceleração nas amortizações e impacto das novas regras de funding no crédito imobiliário

As perspectivas da Caixa para o crédito imobiliário em 2025 foram revistas para cima após a instituição observar um ritmo de amortizações mais intenso que o previsto. O vice-presidente financeiro, Marcos Brasiliano, afirmou em coletiva que a carteira de habitação deve superar o intervalo projetado inicialmente — entre 7,5% e 11,5% de crescimento anual — diante da aceleração observada ao longo de 2025. Até o terceiro trimestre, o avanço acumulado era de 11,4%.

Segundo ele, o movimento ganhou força após a decisão do Conselho Curador do FGTS que ampliou o uso dos recursos do fundo para amortização, compra ou abatimento de parcelas em todos os contratos de financiamento imobiliário, desde que o valor do imóvel esteja dentro do teto de R$ 2,25 milhões. A vice-presidente de habitação, Inês Magalhães, explicou que cerca de 52 mil contratos firmados entre 2021 e 2025 se enquadram nesse limite, embora ainda não haja estimativa de quantos poderão ser amortizados com o FGTS.

O banco também espera que o mercado imobiliário seja favorecido pelas mudanças nas fontes de financiamento anunciadas pelo governo federal. A partir de 2027, os recursos da poupança, hoje direcionados ao crédito habitacional, serão liberados para uso amplo pelos bancos. Para compensar essa flexibilização, as instituições terão de captar no mercado instrumentos como LCIs e destinar, posteriormente, um volume equivalente ao financiamento de imóveis, com prazos que devem variar entre cinco e sete anos conforme o valor financiado. Dentro desse montante, 80% precisarão estar no Sistema Financeiro da Habitação, que opera com taxas limitadas a até 12% mais TR.

Durante as discussões que antecederam o novo modelo, Inês lembrou que houve propostas para uma liberação simples do compulsório, mas prevaleceu a avaliação de que seria necessário adotar uma transição gradual, capaz de garantir previsibilidade ao setor e permitir a construção de novas alternativas de funding ao longo desse período.

O presidente da Caixa, Carlos Vieira, afirmou que outros fatores também deverão contribuir para a expansão do crédito imobiliário. Ele citou a implantação da linha de retrofit, o Programa Reforma Casa Brasil e um acordo firmado recentemente para utilização de imóveis da União. A instituição passou a ser gestora de um fundo voltado à transformação de imóveis públicos sem uso em empreendimentos imobiliários, iniciativa que, segundo Vieira, deve ganhar maior escala em 2026. Em Brasília, disse ele, já há um projeto em andamento dentro desse modelo.

Vieira avaliou que o conjunto dessas medidas, somado ao novo orçamento do FGTS e ao redesenho das regras do SBPE, deve sustentar um ciclo de crescimento mais robusto para o setor. Segundo o executivo, o mercado tem mostrado solidez e há espaço para lançamentos diante da demanda estrutural por habitação no país.

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