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Bolsa brasileira fecha 2025 em alta histórica com apoio de fluxo externo

Principal índice da B3 sobe ao longo de 2025 com expectativa de juros menores e entrada de capital estrangeiro

O Ibovespa encerrou 2025 em um dos níveis mais elevados de sua história, após superar as expectativas do mercado ao longo do ano. O principal índice da bolsa brasileira saiu da faixa dos 120 mil pontos no início do período e alcançou a região dos 161 mil pontos, com renovação de máximas nominais históricas.

No acumulado do ano, o índice registrou valorização de 33,95%, resultado que representa o melhor desempenho anual desde 2016. A alta ocorreu após um ano anterior marcado por retração superior a 10% e por uma postura mais cautelosa dos investidores em relação ao mercado acionário doméstico.

O movimento de valorização ganhou força a partir do terceiro trimestre, quando o índice ultrapassou as projeções iniciais ainda em setembro. No fim de outubro, o mercado voltou a operar em tom positivo, o que resultou em uma sequência de 15 sessões consecutivas de alta, a mais longa desde a implementação do Plano Real. Nesse período, o Ibovespa atingiu pela primeira vez o nível de 165 mil pontos em máxima intradia nominal.

O desempenho do mercado acionário brasileiro esteve associado a um conjunto de fatores macroeconômicos, incluindo a expectativa de cortes de juros no Brasil e nos Estados Unidos, sinais de desaceleração da inflação e entrada expressiva de capital estrangeiro. Ao longo do ano, a taxa Selic iniciou em 13,25% e foi elevada para 15% ao ano, em um contexto de risco fiscal e incertezas no cenário internacional.

Apesar do nível restritivo da política monetária, indicadores econômicos passaram a mostrar sinais de moderação da atividade, especialmente nos dados de inflação e emprego. Essas leituras foram reconhecidas pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central nas últimas comunicações do ano.

Na reunião final de 2025, o colegiado avaliou que os indicadores de atividade econômica seguem trajetória de desaceleração compatível com o esperado, conforme observado nos dados mais recentes do Produto Interno Bruto, enquanto o mercado de trabalho apresentou resiliência. O Banco Central também apontou sinais de arrefecimento da inflação, ainda que os índices permaneçam acima da meta estabelecida.

Esse cenário contribuiu para a precificação de um possível início do ciclo de flexibilização monetária no primeiro trimestre de 2026. No penúltimo pregão do ano, os contratos de opções de Copom negociados na B3 indicavam probabilidade de 73% de um corte da Selic entre 0,25 e 1 ponto percentual.

No ambiente internacional, a redução dos juros nos Estados Unidos ao longo de 2025 também influenciou os mercados. O Federal Reserve iniciou cortes a partir de setembro, levando a taxa básica para o menor nível desde 2022. A expectativa de novas reduções ao longo de 2026 ampliou o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos e contribuiu para o fluxo de recursos para mercados emergentes.

Dados da B3 mostram que, entre janeiro e novembro, a bolsa brasileira recebeu R$ 27,347 bilhões em capital estrangeiro. No ano anterior, o saldo havia sido negativo, após resultado positivo registrado em 2023.

No encerramento do ano, fatores políticos passaram a influenciar as projeções do mercado. A perspectiva de mudanças no cenário eleitoral em 2026 foi incorporada às expectativas para o índice, diante da possibilidade de ajustes no quadro fiscal e seus efeitos sobre o mercado acionário.

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