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Indústria fica estável em novembro e amplia debate sobre início do ciclo de cortes de juros

Dado fraco da indústria reforça expectativa de desaceleração econômica no fim de 2025, avalia analista

A produção industrial brasileira surpreendeu negativamente o mercado ao registrar estabilidade em novembro, contrariando a expectativa de crescimento de 0,2% na comparação mensal. No confronto com o mesmo período do ano anterior, o resultado também veio abaixo do previsto, com queda de 1,2%, enquanto o consenso apontava recuo mais moderado, de 0,1%.

Segundo a analista de Macroeconomia da InvestSmart XP, Sara Paixão, o desempenho confirma a tendência de desaceleração da atividade econômica brasileira ao final de 2025. De acordo com ela, o principal impacto negativo no resultado de novembro veio da indústria extrativa, que apresentou retração de 2,6% no mês e puxou o índice geral para baixo.

Para a analista, o dado divulgado reforça o cenário observado ao longo dos últimos meses e se torna uma referência importante para a condução da política monetária. Segundo Paixão, a evolução da atividade econômica é um dos fatores que devem pesar nas discussões do Comitê de Política Monetária, especialmente no que diz respeito à possibilidade de sinalização de um início do ciclo de cortes de juros na reunião prevista para março, conforme já esperado por parte do mercado.

Ela destaca ainda que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, cuja divulgação está prevista para o dia seguinte, será um indicador relevante para consolidar ou não essas expectativas. A leitura da inflação deve ajudar a calibrar a avaliação do Banco Central sobre o ritmo de desaceleração da economia e a trajetória futura da taxa básica de juros.

Apesar do resultado abaixo do esperado para a produção industrial, a curva de juros brasileira operava em alta em praticamente todos os vértices. Segundo a analista, o movimento ocorre em linha com o cenário internacional e também reflete as expectativas dos investidores em relação ao leilão de títulos prefixados do governo, que influencia a dinâmica do mercado de renda fixa no curto prazo.

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