A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve apresentar uma leitura moderada em dezembro, segundo projeções da Warren Investimentos. A expectativa é de alta de 0,30% no mês, resultado que deve levar a inflação acumulada em 12 meses para 4,23%, representando uma desaceleração de 23 pontos-base em relação ao dado de novembro, que havia registrado 4,46%.
De acordo com a análise divulgada pela instituição, entre os grupos que mais demandam atenção está a alimentação, que deve voltar a acelerar após estabilidade no mês anterior. A projeção aponta avanço de 0,32% em dezembro, impulsionado principalmente pela alimentação no domicílio, com alta estimada de 0,14%. As maiores contribuições devem vir dos alimentos in natura, especialmente frutas, com elevação projetada de 2,35%, e das carnes, com avanço de 1,84%, refletindo o aumento da demanda típico das festas de fim de ano.
No grupo habitação, a expectativa é de deflação de 0,33%, após alta de 0,52% em novembro. O movimento é atribuído principalmente à queda nos preços da energia elétrica, estimada em 0,15%, em função da mudança da bandeira tarifária vermelha patamar 1 para a amarela no mês de dezembro.
A Warren Investimentos também chama atenção para os efeitos da devolução dos descontos concedidos durante a Black Friday. Artigos de residência devem inverter o sinal, passando de queda de 1,00% em novembro para alta de 0,21% em dezembro. Aparelhos eletroeletrônicos também devem registrar variação positiva, saindo de retração de 2,37% para avanço de 0,22%. Vestuário e cuidados pessoais tendem a incorporar esse movimento, com altas projetadas de 1,11% e recuo menos intenso de 0,46%, respectivamente. Parte dessas pressões, no entanto, pode ter sido atenuada por descontos adicionais praticados no período do Natal, enquanto o restante das devoluções deve impactar os preços de forma mais significativa em janeiro.
Para o grupo transportes, a projeção indica aceleração relevante, de 0,22% em novembro para 0,78% em dezembro. As principais pressões vêm das passagens aéreas, com alta estimada de 12,71% devido à sazonalidade das férias, do transporte por aplicativo, com avanço projetado de 12,00%, e da gasolina, que deve subir 0,41%, revertendo parte da queda observada após a redução de preços promovida pela Petrobras em outubro. Em sentido oposto, tarifas de ônibus urbano devem recuar 2,88%, refletindo gratuidades concedidas em algumas capitais.
Nos serviços subjacentes, a expectativa é de aceleração para 0,73%, ante 0,60% no mês anterior. A alimentação fora do domicílio deve registrar alta de 0,77%, enquanto despesas pessoais tendem a desacelerar para 0,45%. De forma geral, os núcleos de inflação não dessazonalizados devem avançar na leitura mensal e permanecer em níveis considerados elevados.
Em síntese, a Warren Investimentos avalia que o IPCA de dezembro deve confirmar um quadro de inflação moderada, com núcleos projetados em 0,41%. Persistem, contudo, riscos altistas associados a componentes mais voláteis, como alimentação, passagens aéreas e transporte por aplicativo. A instituição mantém suas projeções de inflação em 4,2% para 2025 e 4,5% para 2026, com balanço de riscos inclinado para cima no próximo ano.









