A ata da reunião de janeiro do Comitê de Política Monetária (Copom) indica que o Banco Central prepara o início de um ciclo de flexibilização monetária a partir de março, mas com forte ênfase na calibragem do ritmo e da magnitude dos cortes. A avaliação consta em análise elaborada por Luis Felipe Vital, CFA, e Cecília Mazzoni, CFA, da Warren Investimentos, que destacam que a comunicação do colegiado busca conter expectativas excessivamente otimistas do mercado em relação à trajetória da taxa Selic.
Segundo os analistas, o documento reforça que a política monetária permanecerá em território restritivo por um período prolongado, mesmo com o início do ciclo de distensão. A escolha de termos como “serenidade” para descrever o processo de redução dos juros é interpretada como um sinal claro de que o Copom pretende evitar uma antecipação agressiva de cortes mais profundos, que já vinham sendo precificados por alguns agentes.
A análise aponta que o cenário-base implícito na ata é compatível com um corte inicial de 50 pontos-base, embora o texto não ofereça compromissos explícitos sobre o tamanho do primeiro movimento. Para a Warren Investimentos, a ausência de um guidance mais rígido preserva flexibilidade ao Banco Central, ao mesmo tempo em que ancora as expectativas em um ciclo mais gradual.
No ambiente externo, os analistas observam que o Copom reconhece melhora nas condições financeiras globais e estabilidade nos preços das commodities, mas mantém a avaliação de que as incertezas internacionais seguem relevantes no horizonte de médio e longo prazos. Esse fator contribui para a postura cautelosa adotada pelo comitê na condução da política monetária.
No plano doméstico, a ata reforça sinais de desaceleração da atividade econômica e de reequilíbrio entre oferta e demanda, elementos considerados fundamentais para a continuidade do processo de desinflação. Ainda assim, o mercado de trabalho segue como ponto de atenção, dado o nível elevado dos rendimentos reais, que pode dificultar uma convergência mais rápida da inflação.
A questão fiscal aparece sem mudanças relevantes em relação às comunicações anteriores. Na leitura dos analistas da Warren Investimentos, o Copom mantém a sinalização de que estímulos fiscais podem pressionar a demanda no curto prazo e influenciar a estrutura a termo das taxas de juros, reforçando a necessidade de coordenação entre as políticas econômica e monetária.
Por fim, a análise destaca que houve um ajuste marginal no horizonte relevante de inflação, deslocado para o terceiro trimestre de 2027, com projeções próximas ao centro da meta. Esse movimento é interpretado como um sinal de melhora gradual do cenário inflacionário, ainda cercado por riscos elevados, o que sustenta a opção do Copom por uma comunicação mais equilibrada e sem compromissos rígidos quanto ao ritmo futuro dos cortes.









