A indústria brasileira encerrou 2025 com crescimento de 0,6%, após perder ritmo nos últimos meses do ano sob o impacto dos juros elevados. Apesar da desaceleração no segundo semestre, o resultado marcou o terceiro ano consecutivo de expansão da produção, segundo a Pesquisa Industrial Mensal divulgada nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
A perda de fôlego ficou concentrada na segunda metade do ano. Até junho, a produção acumulava alta de 1,2% na comparação anual, enquanto entre julho e dezembro a variação foi nula, com queda de 1,9% no período de setembro a dezembro. Em dezembro, a produção recuou 1,2%, o pior resultado desde julho de 2024, com três quedas nos últimos quatro meses do ano.
No recorte setorial, duas das quatro grandes categorias avançaram em 2025, com destaque para bens de consumo duráveis e bens intermediários, enquanto bens de capital e bens semi e não duráveis recuaram. Das 25 atividades pesquisadas, 15 registraram crescimento, lideradas pelas indústrias extrativas e pelo setor de alimentos, ainda que o nível geral da produção permaneça abaixo do pico histórico registrado em 2011.
Segundo o IBGE, a principal explicação para o desempenho mais fraco no fim do ano foi a política monetária restritiva, com a taxa Selic elevada para conter a inflação. O ciclo de aperto foi conduzido pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil, após a inflação medida pelo IPCA permanecer fora do intervalo da meta por grande parte de 2025, encarecendo o crédito, adiando investimentos e limitando o consumo das famílias.









