O Ibovespa registrou valorização superior a 12% em janeiro, marcando o melhor desempenho mensal desde novembro de 2020 e o melhor janeiro em duas décadas. Para os estrategistas da XP, o movimento teve como principal vetor a forte entrada de capital estrangeiro, mais do que uma mudança estrutural na alocação dos investidores locais.
Segundo dados da B3, investidores estrangeiros aportaram R$ 26,3 bilhões na bolsa brasileira ao longo do mês, superando todo o fluxo observado em 2025 até o momento e configurando o maior ingresso mensal desde o início de 2022. Na avaliação da XP, esse volume foi determinante para a intensidade do rali.
Em relatório, os estrategistas Fernando Ferreira e equipe afirmam que muitos investidores ficaram surpresos com a força da alta. De acordo com a análise, o movimento parece ter sido impulsionado majoritariamente por fundos globais e estratégias passivas, e não por gestores ativos focados em mercados emergentes. A XP observa que o Brasil já vinha sendo mantido como posição overweight por grande parte dos investidores internacionais desde 2024, o que ajudou a acelerar o fluxo no início de 2026.
A equipe destaca que o interesse estrangeiro está sustentado por uma combinação de fatores externos e domésticos. No cenário internacional, a expectativa de flexibilização monetária nos Estados Unidos e a tese de enfraquecimento do dólar favorecem a alocação em mercados emergentes. Internamente, a sinalização do Banco Central de que pode iniciar um ciclo de cortes da Selic a partir de março reforça a atratividade de ativos sensíveis a juros.
Apesar da valorização recente, os estrategistas da XP avaliam que o mercado brasileiro segue barato em termos relativos. O múltiplo preço sobre lucro do Ibovespa retornou à média histórica próxima de 11 vezes, mas, segundo o relatório, o Brasil continua figurando entre os mercados mais descontados globalmente, além de oferecer o maior dividend yield entre seus pares.
No campo político, a XP observa que investidores europeus demonstram menor preocupação com as eleições presidenciais do que os investidores locais. Segundo a equipe, há a percepção de uma assimetria positiva no processo eleitoral, o que reduz o peso do risco político na tomada de decisão no curto prazo.
Em termos setoriais, o relatório aponta que o setor financeiro permanece como principal posição dos estrangeiros, abrangendo bancos, fintechs, meios de pagamento e empresas de mercado de capitais. Setores sensíveis à queda de juros, como construção, infraestrutura, transportes e varejo, também seguem no radar, enquanto a exposição a commodities sustenta o interesse pela América Latina como um todo.









