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BTG vê investimentos elevados pressionando dividendos da Petrobras

Análise do BTG aponta capex elevado e saídas pontuais reduzindo dividendos da Petrobras

Os dividendos da Petrobras referentes ao quarto trimestre de 2025 devem ficar abaixo das expectativas predominantes do mercado, segundo avaliação do BTG Pactual. A análise considera um ambiente de maior pressão sobre o fluxo de caixa da companhia, provocado por um nível elevado de investimentos e por desembolsos pontuais concentrados no fim do ano.

De acordo com o relatório, enquanto o consenso de mercado trabalha com a hipótese de distribuição em torno de US$ 1,7 bilhão no período, o BTG projeta um pagamento mais próximo de US$ 1,3 bilhão. Esse montante corresponderia a um dividend yield trimestral estimado em cerca de 1,4%, abaixo do padrão observado em trimestres anteriores marcados por maior folga financeira.

A principal explicação para a projeção mais conservadora está no volume de despesas de capital. Segundo o banco, o capex da Petrobras deve permanecer próximo ao teto da faixa indicada pela própria companhia para 2025, reduzindo o espaço para remuneração aos acionistas no curto prazo. Esse movimento limita a geração de caixa livre disponível para distribuição, mesmo em um cenário de preços de petróleo ainda relativamente sustentados.

Além do nível de investimentos, o BTG incorpora em suas estimativas saídas adicionais de caixa relacionadas a eventos específicos do período. Entre eles estão os desembolsos associados ao acordo de individualização do campo de Jubarte e os pagamentos decorrentes do leilão do pré-sal conduzido pela PPSA. Esses fatores, segundo o banco, exercem pressão relevante sobre o caixa do trimestre e ajudam a explicar a diferença entre a projeção da casa e o consenso.

Com base nessas premissas, o BTG estima que o Ebitda da Petrobras no quarto trimestre de 2025 fique em um intervalo entre US$ 10,5 bilhões e US$ 11,5 bilhões. A partir desse intervalo, o banco realizou simulações que indicam dividendos variando entre US$ 1,2 bilhão e US$ 1,5 bilhão, a depender da combinação efetiva entre geração operacional e nível de investimentos realizados no período.

A instituição reforça que mantém recomendação neutra para as ações da Petrobras. Segundo o relatório, o cenário financeiro segue mais apertado, com baixa visibilidade em relação ao ambiente macroeconômico e político. Além disso, o BTG avalia que as projeções de fluxo de caixa livre ao acionista e de dividend yield para 2026, estimadas em torno de 7% e 8%, respectivamente, não são suficientemente atrativas para sustentar uma reprecificação fundamental relevante no curto prazo.

Para os próximos anos, o banco projeta dividend yield anual entre 7% e 8% em 2025 e 2026, com expectativa de avanço em 2027, à medida que a trajetória de investimentos se normalize e a geração de caixa volte a ganhar mais espaço. Ainda assim, a leitura do BTG é de que o perfil de retorno da Petrobras tende a ser mais moderado do que no período de pagamentos extraordinários observados anteriormente.

Em avaliações complementares de mercado, ferramentas de análise baseadas em dados públicos também indicam um cenário de desaceleração nos proventos em relação aos picos históricos. Ainda assim, a Petrobras mantém indicadores de rentabilidade e histórico de distribuição que a colocam acima da média do mercado brasileiro em termos de retorno ao acionista, mesmo em um contexto de maior disciplina financeira e foco em investimentos estratégicos.

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