Atividade EconômicaEconomiaInflaçãoNotíciasPolítica Econômica

Daycoval revisa IPCA de 2026 e projeta início gradual de cortes da Selic

Banco aponta desinflação mais consistente e menor pressão cambial no próximo ano

A leitura de um ambiente inflacionário menos pressionado levou o Daycoval a revisar para baixo suas projeções para a inflação em 2026. Em relatório recente, o banco reduziu a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 4,1% para 3,8%, movimento que reforça a avaliação de que o processo de desinflação está ganhando tração e abre espaço para o início de um ciclo de cortes na taxa básica de juros.

Segundo o Daycoval, a revisão reflete principalmente uma dinâmica mais favorável da inflação importada, em um contexto de câmbio mais acomodado e menor pressão externa. Além disso, houve ajuste relevante nas projeções para os preços administrados, cuja alta estimada foi reduzida de 4,2% para 3,6%, contribuindo para um cenário inflacionário mais benigno do que o esperado ao fim de 2025.

Entre os fatores específicos citados pelo banco estão a redução nos preços da gasolina e a incorporação de deflação em itens como emplacamentos e licenças, que passaram a exercer impacto negativo sobre o índice. Esses movimentos ajudaram a reconfigurar o balanço de riscos para a inflação no próximo ano.

No grupo de bens industriais, a projeção também foi revisada para baixo, de 3,5% para 3,0%. A mudança reflete, segundo o banco, a menor pressão cambial e um impacto mais contido das commodities quando medidas em reais. A avaliação é que esse ambiente externo mais favorável ainda deve influenciar o comportamento dos preços ao longo do primeiro semestre de 2026.

Apesar da melhora no cenário geral, o Daycoval mantém postura cautelosa. A inflação de serviços segue como o principal ponto de atenção, especialmente diante de um mercado de trabalho ainda apertado e de ganhos reais de renda. O banco destaca que o núcleo da inflação, mais sensível à dinâmica salarial, continua representando um desafio relevante para a condução da política monetária.

Ainda assim, a nova projeção consolida a percepção de que a desinflação está em curso e sustenta a expectativa de início do ciclo de afrouxamento monetário. O Daycoval projeta que a taxa Selic encerre 2026 em 12%, com um primeiro corte de 0,25 ponto percentual já em março, seguido por um processo gradual de redução.

O banco observa que a comunicação recente do Banco Central do Brasil, considerada mais dovish, foi uma surpresa para sua equipe econômica. No entanto, ressalta que o cenário ainda é marcado por expectativas de inflação desancoradas, projeções elevadas, resiliência da atividade econômica e pressões persistentes no mercado de trabalho.

Para o curto prazo, o Daycoval avalia que a autoridade monetária pode até iniciar o ciclo de cortes de forma um pouco mais intensa, mas faz um alerta. Segundo o banco, a manutenção de uma postura firme é parte essencial do processo de reancoragem das expectativas. Nesse sentido, uma comunicação excessivamente branda em um ambiente de elevada incerteza pode dificultar o controle das expectativas inflacionárias.

Postagens relacionadas

1 of 585