As taxas dos títulos públicos negociados no Tesouro Direto registraram leves ajustes nesta quinta-feira, mas permaneceram em níveis elevados ao longo de toda a curva. O movimento ocorre em um ambiente de cautela, com investidores atentos ao cenário fiscal doméstico, às sinalizações do Banco Central e às condições externas, especialmente ao comportamento dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
Na quarta-feira, durante participação no CEO Conference 2026 promovido pelo BTG Pactual, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a autoridade monetária iniciará a calibragem da taxa básica de juros na reunião de março, sem assumir compromissos sobre o ritmo das decisões ao longo do ano. Ele ressaltou que eventuais movimentos dependerão da evolução dos dados econômicos. No radar do mercado também permanecem as indicações para cargos em aberto no Banco Central, com menções a Guilherme Mello e Tiago Cavalcanti, embora a definição caiba ao presidente da República.
Entre os títulos prefixados, os retornos continuam em patamar elevado. O Tesouro Prefixado 2029 é negociado a 12,73% ao ano, enquanto o Tesouro Prefixado 2032 oferece 13,40%, ligeiramente abaixo do fechamento anterior. No trecho mais longo, o Tesouro Prefixado com juros semestrais 2037 paga 13,67% ao ano. Os níveis refletem a precificação de juros reais elevados e a percepção de risco fiscal ainda presente nas curvas de longo prazo.
Nos papéis indexados à inflação, os juros reais seguem consistentes. O Tesouro IPCA+ 2032 rende IPCA mais 7,60% ao ano, ante 7,62% no dia anterior. O Tesouro IPCA+ 2040 oferece IPCA mais 7,24%, enquanto o Tesouro IPCA+ 2050 apresenta retorno de IPCA mais 6,97%. Entre os títulos com pagamento semestral de juros, o Tesouro IPCA+ 2037 paga IPCA mais 7,47% e o Tesouro IPCA+ 2045 rende IPCA mais 7,23%. Já o Tesouro Selic 2031 é negociado a Selic mais 0,1005% ao ano, mantendo perfil de menor volatilidade em comparação com os demais papéis.
No exterior, os rendimentos dos Treasurys recuavam, com o título de dez anos operando em torno de 4,162%, movimento que também influencia a dinâmica dos juros locais. Mesmo com oscilações pontuais, os títulos públicos brasileiros continuam oferecendo prêmios elevados, refletindo o ambiente de incerteza e a expectativa em torno dos próximos passos da política monetária.









