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Banco sugere venda de Treasurys de 2 anos mesmo com apostas em cortes do Fed

JPMorgan orienta traders a vender títulos americanos de 2 anos e avalia espaço restrito para novas quedas nos rendimentos

O JPMorgan recomendou a abertura de posição vendida em títulos do Tesouro dos Estados Unidos com vencimento em dois anos, ao avaliar que os rendimentos dessa parte da curva apresentam espaço limitado para novas quedas, mesmo diante das expectativas do mercado por cortes de juros pelo Federal Reserve ao longo de 2026.

A orientação foi direcionada a investidores institucionais após um movimento recente de recuo dos yields, que caíram entre 5 e 9 pontos-base até a última quinta-feira (12). No período, a curva de juros americana apresentou achatamento, em um ambiente marcado por fraqueza de ativos de risco, dados de emprego ligeiramente abaixo do esperado e demanda elevada em operações de recompra realizadas em fevereiro.

Apesar da queda nas taxas, o banco sustenta que os fundamentos macroeconômicos permanecem consistentes. Na avaliação do JPMorgan, será difícil para Kevin Warsh, indicado à presidência do Fed, promover mudanças significativas na condução da política monetária após assumir o cargo. A instituição projeta que o banco central americano deve manter postura de pausa neste ano, cenário que tenderia a restringir movimentos adicionais de queda nos rendimentos dos títulos de curto prazo.

No segmento de longo prazo, o leilão de títulos com vencimento em 30 anos foi concluído 2,2 pontos-base abaixo dos níveis observados antes da operação, com 94,1% da oferta absorvida por investidores finais, percentual considerado elevado para esse tipo de emissão.

Os dados de inflação ao consumidor nos Estados Unidos, medidos pelo CPI e divulgados nesta sexta-feira (13), vieram ligeiramente abaixo das estimativas, mas reforçaram a percepção de inflação persistente combinada a um mercado de trabalho ainda resiliente. Para analistas, esse quadro sustenta uma postura cautelosa por parte do Fed pelo menos até meados do ano.

Mesmo recomendando posição vendida na ponta curta da curva, o JPMorgan manteve exposição comprada em swaps de inflação de cinco anos, com hedge em energia. Segundo o banco, os breakevens desse prazo recuaram cerca de 10 pontos-base no mês e estariam aproximadamente 28 pontos-base abaixo do valor considerado justo, em um contexto de crescimento econômico resistente e expectativa de aceleração sequencial da inflação no primeiro semestre de 2026.

Nos mercados, os rendimentos operavam em queda após a divulgação dos dados. O título de 10 anos era negociado a 4,064%, recuo de 4 pontos-base. O papel de 30 anos registrava taxa de 4,706%, com baixa superior a 2 pontos-base. Já o Treasury de 2 anos apresentava rendimento de 3,414%, queda superior a 5 pontos-base no dia.

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