O JPMorgan reiterou recomendação equivalente à venda para as principais empresas brasileiras de varejo alimentar e manteve classificação underweight para Assaí, Grupo Mateus e GPA. Na avaliação do banco, o ambiente operacional ainda comporta novas revisões negativas nas estimativas de lucro para 2026, diante de um cenário de demanda considerado frágil.
Segundo o relatório, dados da Nielsen indicam que o início de 2026 apresenta desempenho levemente superior ao observado no fim de 2025, mas sem evidências suficientes de recuperação consistente. O banco aponta que o crescimento da receita tem se mostrado volátil, o que dificulta a leitura de retomada estrutural do setor.
A desaceleração do consumo permanece como principal fator de cautela. Mesmo com melhora recente na renda disponível das famílias e com a inflação de alimentos migrando para patamar de desinflação ou deflação, os analistas avaliam que a expansão do consumo tende a ser limitada. A queda nos preços de alimentos pode pressionar o ticket médio das compras, afetando o crescimento nominal das vendas.
O banco destaca que, nesse contexto, a alavancagem operacional das companhias fica comprimida. As empresas têm buscado medidas adicionais de eficiência em despesas gerais e administrativas, mas enfrentam restrições para reduzir custos comerciais, já que operam com quadros enxutos, elevada rotatividade e dificuldades de contratação.
Mesmo com perspectiva de ciclo de queda de juros adiante, o JPMorgan projeta que as ações do segmento devem continuar apresentando desempenho inferior ao mercado. Para o Assaí, o banco estima crescimento de 1% no Ebitda ajustado em 2026 e lucro líquido de R$ 737 milhões. A redução do custo de capital próprio de 14,5% para 13,8% permitiu elevação do preço-alvo para R$ 9,50, ante R$ 8,50 anteriormente.
No caso do Grupo Mateus, o banco reduziu em 1% a projeção de Ebitda ajustado para 2026, mantendo expectativa de lucro estável, sustentada por menores despesas financeiras. Já para o GPA, as estimativas de vendas líquidas e Ebitda ajustado foram cortadas em 5% e 9%, respectivamente, refletindo a descontinuação gradual do projeto Aliados e um ambiente de demanda considerado mais desafiador.
Em análise de sensibilidade, o banco estimou que, no caso do Assaí, uma variação de 50 pontos-base no ticket médio pode alterar o lucro líquido em aproximadamente 5%, impacto semelhante ao de movimentos equivalentes na taxa Selic. Para o Grupo Mateus, o efeito de mudanças nos juros é praticamente neutro, em razão de estrutura de capital considerada menos alavancada.









