A divulgação dos resultados de dezembro das pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para indústria, serviços e comércio levou economistas a revisarem as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre e para o fechamento de 2025. A leitura predominante é de que a economia perdeu ritmo na segunda metade do ano e deve ter registrado variação próxima de zero entre outubro e dezembro, após crescimento de 0,1% no terceiro trimestre na comparação dessazonalizada.
Na primeira metade de 2025, o desempenho foi mais robusto. O PIB avançou 1,5% no primeiro trimestre, impulsionado pela agropecuária, e cresceu 0,3% no segundo. O cenário mudou ao longo do segundo semestre, em um ambiente de juros elevados, esgotamento dos efeitos da safra recorde e menor impulso fiscal. A expectativa agora é de estabilidade ou leve alta no último trimestre.
A XP projeta expansão de 0,1% no quarto trimestre, o que levaria o PIB a crescer 2,3% no acumulado de 2025. Já a BRCG Consultoria estima estabilidade entre outubro e dezembro e avanço de 2,2% no ano. O C6 Bank trabalha com alta de 0,2% no trimestre e também 2,3% no fechamento anual, enquanto o ABC Brasil mantém previsão de 2,4% para 2025.
Os indicadores setoriais reforçam o diagnóstico de desaceleração gradual. A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) mostrou que o varejo restrito recuou 0,4% em dezembro, embora tenha fechado o quarto trimestre com alta de 1% frente ao terceiro. No acumulado de 2025, o segmento avançou 1,6%. O varejo ampliado, que inclui veículos, material de construção e atacarejo, caiu 1,2% no mês, mas registrou alta de 1,5% na média do trimestre. No ano, ficou praticamente estável.
O comportamento do varejo ampliado reflete o impacto do aperto monetário, sobretudo nos segmentos dependentes de crédito. Levantamento da XP indica que atividades sensíveis ao financiamento acumularam retração de 0,8% no ano, enquanto aquelas mais vinculadas à renda cresceram 1,3%. Pesquisadores destacam que o mercado de trabalho permanece aquecido, mas o consumo não tem avançado na mesma intensidade.
No setor de serviços, responsável por cerca de dois terços do PIB, a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) apontou queda de 0,4% em dezembro e estabilidade na comparação entre o quarto e o terceiro trimestres. Ainda assim, o segmento acumulou alta de 2,8% em 2025, a quinta expansão anual consecutiva. O ramo de tecnologia da informação e comunicação seguiu como principal destaque, com crescimento de 6,2%, sustentado pelo processo de digitalização. Já os serviços prestados às famílias avançaram 1,1%, ritmo inferior ao observado no ano anterior.
A indústria apresentou o desempenho mais fraco. Segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), houve recuo de 1,2% em dezembro, pior resultado para o mês desde 2019. No quarto trimestre, a produção caiu 0,5%. Apesar disso, o setor encerrou 2025 com alta de 0,6%, marcando o terceiro ano consecutivo de crescimento, ainda que permaneça abaixo do pico histórico registrado em 2011. A indústria de transformação recuou 0,2% no ano, enquanto o segmento extrativo avançou 4,9%.
Economistas avaliam que a combinação de juros elevados e menor impulso externo afetou sobretudo a indústria, enquanto consumo e serviços demonstraram maior resiliência. A média do quarto trimestre indica alta de 1,49% no varejo ampliado e de 0,80% nos serviços frente ao trimestre anterior, enquanto a indústria caiu 0,65%.
O IBGE divulgará o resultado oficial do PIB do quarto trimestre e do acumulado de 2025 em 3 de março. Antes disso, o Banco Central do Brasil publicará o IBC-Br, indicador mensal de atividade utilizado como sinalização prévia do crescimento econômico.
Para 2026, a maior parte das instituições projeta desaceleração. A BRCG estima expansão de 1,6% no biênio 2026-27. O C6 Bank e o ABC Brasil preveem alta de 1,7% no próximo ano. Analistas consideram que medidas como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e a nova safra agrícola podem mitigar o enfraquecimento da atividade, mas não eliminam o cenário de moderação no ciclo econômico.










