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O que é o FGC e como ele protege seu dinheiro no banco

O que é o FGC

O FGC, sigla para Fundo Garantidor de Créditos, é uma entidade privada sem fins lucrativos que protege depositantes e investidores em caso de falência ou intervenção do Banco Central em uma instituição financeira. Em termos simples, ele funciona como um seguro sobre o dinheiro que você tem depositado em bancos.

O FGC foi criado em 1995 e é mantido pelas próprias instituições financeiras associadas, que contribuem mensalmente com um percentual dos depósitos captados. Hoje, praticamente todos os bancos que operam no Brasil são associados ao FGC e contribuem para o fundo.

Para o investidor comum, o FGC representa uma camada extra de segurança: mesmo que o banco onde você investiu venha a falir, você tem direito a receber de volta o valor investido mais os rendimentos acumulados, respeitados os limites estabelecidos.

💡 Em termos simples: o FGC é o “seguro do banco”. Se a instituição quebrar, ele devolve seu dinheiro — até o limite de R$ 250 mil por CPF por instituição.

Como o FGC funciona na prática

O funcionamento do FGC é automático e independe de qualquer ação do investidor. Você não precisa se cadastrar, contratar ou pagar nada para ter a cobertura — ela é automática para todos os produtos elegíveis.

Quando o Banco Central decreta a intervenção, liquidação extrajudicial ou falência de uma instituição financeira associada ao FGC, o fundo assume a responsabilidade de ressarcir os credores cobertos até o limite estabelecido. O pagamento é feito diretamente pelo FGC, sem depender do processo de falência da instituição.

O prazo para receber varia conforme a situação, mas o FGC tem cumprido historicamente os pagamentos em prazos relativamente curtos após a decretação da liquidação. Em casos recentes, o ressarcimento ocorreu em questão de semanas.

Quais investimentos são cobertos pelo FGC

A cobertura do FGC se aplica aos seguintes produtos financeiros:

  • Depósitos à vista — saldo em conta corrente
  • Depósitos de poupança — caderneta de poupança
  • CDB — Certificado de Depósito Bancário
  • LCI — Letra de Crédito Imobiliário
  • LCA — Letra de Crédito do Agronegócio
  • LC — Letra de Câmbio emitida por financeiras
  • LH — Letra Hipotecária
  • Depósitos a prazo com ou sem emissão de certificado (RDB)

Na prática, os produtos mais relevantes para a maioria dos investidores são CDB, LCI e LCA — todos cobertos integralmente pelo FGC dentro dos limites.

Quais investimentos não são cobertos pelo FGC

Nem tudo que você investe em uma instituição financeira está protegido. Os seguintes produtos ficam fora da cobertura do FGC:

  • Tesouro Direto — tem garantia direta do governo federal, não precisa do FGC
  • Fundos de investimento — têm patrimônio separado do banco, protegido por outra estrutura legal
  • Ações e ETFs — custodiados na B3, independem da saúde financeira do banco
  • Debêntures — títulos de crédito corporativo sem cobertura do FGC
  • CRI e CRA — Certificados de Recebíveis, isentos de IR mas sem FGC
  • Letras Financeiras (LF) — voltadas para investidores qualificados, sem cobertura

Um ponto importante: o Tesouro Direto, embora não tenha FGC, é considerado o investimento mais seguro do Brasil — porque a garantia é do próprio governo federal. Fundos de investimento, por sua vez, têm proteção diferente: o patrimônio do fundo é separado do patrimônio do banco gestor, então uma eventual falência da gestora não afeta diretamente o dinheiro do cotista.

Produto Coberto pelo FGC? Tipo de proteção
CDB ✅ Sim FGC até R$ 250 mil
LCI / LCA ✅ Sim FGC até R$ 250 mil
Poupança ✅ Sim FGC até R$ 250 mil
Conta corrente ✅ Sim FGC até R$ 250 mil
Tesouro Direto ❌ Não Garantia do governo federal
Fundos de investimento ❌ Não Patrimônio segregado
Ações / ETFs ❌ Não Custódia na B3
Debêntures / CRI / CRA ❌ Não Sem garantia específica

Quais são os limites de garantia

O FGC estabelece dois limites que todo investidor precisa conhecer:

Limite por CPF por instituição: R$ 250.000 Esse é o teto de cobertura para cada banco individualmente. Se você tiver R$ 300.000 em CDB de um único banco e ele falir, apenas R$ 250.000 serão ressarcidos pelo FGC — os R$ 50.000 excedentes ficarão em risco.

Limite global por CPF: R$ 1.000.000 Esse é o teto total que uma mesma pessoa pode receber do FGC considerando todas as instituições. Se você tiver R$ 250.000 em quatro bancos diferentes e todos falissem ao mesmo tempo, receberia o máximo de R$ 1.000.000.

Periodicidade: a cada 4 anos O limite global de R$ 1.000.000 se renova a cada 4 anos. Ou seja, se você utilizou R$ 500.000 da garantia em um evento, pode usar os outros R$ 500.000 em eventos futuros, e após 4 anos o limite se reconstitui.

Regra Valor
Limite por CPF por instituição R$ 250.000
Limite global por CPF R$ 1.000.000
Renovação do limite global A cada 4 anos
Inclui rendimentos acumulados? Sim
Vale para CNPJ também? Sim, mesmos limites

⚠️ Atenção aos rendimentos: o limite de R$ 250 mil inclui o valor investido mais os rendimentos acumulados até a data da liquidação. Se você investiu R$ 240.000 e o saldo cresceu para R$ 260.000 com os juros, os R$ 10.000 excedentes não serão cobertos. Por isso, a recomendação prática é manter no máximo R$ 220.000 a R$ 230.000 por instituição.

O que acontece quando um banco quebra

O processo segue etapas bem definidas:

1. Decretação pelo Banco Central O Banco Central decreta a intervenção, liquidação extrajudicial ou falência da instituição. A partir desse momento, as operações são suspensas.

2. Habilitação dos credores O FGC identifica os credores elegíveis com base nos registros da instituição. Você não precisa entrar com processo — o FGC age de forma proativa.

3. Pagamento pelo FGC O fundo paga diretamente aos credores cobertos, respeitando os limites. O pagamento é feito em conta bancária indicada pelo próprio investidor.

4. Processo de liquidação Paralelamente, a massa de credores não cobertos — ou o excedente acima do limite — entra no processo de liquidação da instituição, que pode levar anos e sem garantia de recuperação total.

Na história recente do Brasil, casos como o do Banco Cruzeiro do Sul (2012), Banco BVA (2012) e Banco Schahin (2014) mostraram que o FGC cumpriu o papel de ressarcir os investidores cobertos dentro dos limites estabelecidos.

Como usar o FGC a seu favor ao investir

Conhecer os limites do FGC permite montar uma estratégia de renda fixa mais eficiente e segura.

Distribua entre instituições

Se você tem R$ 500.000 para investir em CDB, não concentre tudo em um único banco. Dividindo em duas ou três instituições, você mantém cobertura total do FGC e ainda pode aproveitar as melhores taxas de cada banco.

Prefira bancos menores com cautela

Bancos menores e fintechs costumam oferecer CDBs com rentabilidade acima de 110% do CDI — bem acima dos grandes bancos, que raramente passam de 100% do CDI. Com o FGC garantindo até R$ 250 mil, esse risco adicional fica mitigado para valores dentro do limite.

Monitore o saldo regularmente

Com os juros compostos, o saldo de um CDB cresce ao longo do tempo. Um investimento que começou em R$ 230.000 pode ultrapassar R$ 250.000 após alguns meses de rendimento. Fique de olho para não superar o limite sem perceber.

Combine FGC com Tesouro Direto

Para valores acima de R$ 250 mil por instituição, o Tesouro Direto é o complemento natural: tem garantia do governo federal sem limite de valor e liquidez diária. A combinação CDB em banco médio com FGC + Tesouro Selic para o excedente é uma das estratégias mais utilizadas por investidores conservadores.

Perguntas frequentes sobre FGC

O FGC cobre investimentos em nome de pessoa jurídica (CNPJ)? Sim. Os mesmos limites se aplicam para CPF e CNPJ — R$ 250 mil por instituição e R$ 1 milhão no total. Empresas que mantêm reservas em CDB ou conta corrente também têm cobertura.

O FGC paga os rendimentos ou apenas o principal? O FGC cobre o valor total do saldo na data da liquidação, incluindo os rendimentos acumulados até aquela data — desde que o total não supere R$ 250 mil por instituição.

Preciso fazer alguma coisa para ter a cobertura do FGC? Não. A cobertura é automática para todos os produtos elegíveis depositados em instituições associadas ao FGC. Você não precisa se cadastrar, contratar ou pagar nada.

O Nubank, Inter e outros bancos digitais têm FGC? Sim. Todos os bancos digitais autorizados pelo Banco Central que operam no Brasil são associados ao FGC. CDBs emitidos por Nubank, Inter, C6, PagBank e similares têm a mesma cobertura que os de bancos tradicionais.

O que acontece se o FGC não tiver dinheiro suficiente para pagar todos? O FGC é obrigado por regulação a manter um patrimônio mínimo proporcional aos depósitos garantidos. Hoje o fundo tem patrimônio na casa das dezenas de bilhões de reais. Em uma situação extrema de crise sistêmica com múltiplas falências simultâneas, o governo federal pode atuar como garantidor de última instância — mas esse cenário nunca ocorreu na história do Brasil.

CDB de banco grande é mais seguro que de banco pequeno? Em termos de FGC, não há diferença para valores até R$ 250 mil — a garantia é a mesma. A diferença está no risco de o processo de liquidação demorar mais em bancos menores e na probabilidade (baixa, mas existente) de o banco enfrentar problemas. Para valores dentro do limite do FGC, a escolha por banco médio com taxa maior é uma decisão racional de muitos investidores.

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Atualizado em fevereiro de 2026

Este conteúdo tem caráter informativo e educativo. Não constitui recomendação de investimento. Consulte um assessor certificado antes de tomar decisões financeiras.

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