InvestimentosNotícias

Tesouro Selic: o que é, como funciona e quando vale a pena investir

Entenda o que é o Tesouro Selic, como funciona sua rentabilidade com a taxa básica em 15% ao ano e quando esse título público pode ser uma boa opção de investimento

O Tesouro Selic é um título público federal negociado por meio do programa Tesouro Direto e considerado uma das aplicações de menor risco disponíveis no mercado brasileiro. Sua principal característica é acompanhar a taxa Selic, que atualmente está em 15% ao ano, refletindo diretamente o cenário da política monetária definida pelo Banco Central.

Ao investir no Tesouro Selic, o investidor está emprestando dinheiro ao governo federal em troca de uma remuneração atrelada à taxa básica de juros da economia. Sempre que a Selic sobe ou desce, a rentabilidade do título acompanha esse movimento. Por isso, ele é classificado como um título pós-fixado.

Com a Selic em 15% ao ano, o rendimento bruto do Tesouro Selic tende a se aproximar desse percentual ao longo de 12 meses, descontadas taxas administrativas e o Imposto de Renda. A tributação segue tabela regressiva, começando em 22,5% para aplicações de curto prazo e podendo cair para 15% em investimentos mantidos por mais de dois anos.

Uma das principais vantagens do Tesouro Selic é a baixa volatilidade. Diferentemente de títulos prefixados ou atrelados à inflação, ele sofre pouca oscilação no preço quando mantido por períodos mais curtos. Isso acontece porque sua rentabilidade acompanha diariamente a variação da taxa básica, reduzindo o risco de perdas significativas caso o investidor precise vender antes do vencimento.

Por esse motivo, o Tesouro Selic costuma ser indicado para a formação de reserva de emergência. Como possui liquidez diária, o investidor pode solicitar o resgate a qualquer momento, respeitando o calendário do Tesouro Direto, o que oferece flexibilidade em situações imprevistas.

O cenário de juros elevados reforça a atratividade desse título. Com a Selic em 15%, aplicações atreladas ao CDI também apresentam rendimento elevado, mas o Tesouro Selic se destaca pela segurança associada ao risco soberano. Em comparação com a poupança, cuja regra de rendimento limita o retorno quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, o Tesouro Selic tende a oferecer rentabilidade superior.

Outro ponto relevante é o impacto da inflação medida pelo IPCA. O ganho real do investimento depende da diferença entre o rendimento nominal e a variação de preços. Em um ambiente de Selic elevada e inflação controlada, o investidor consegue preservar poder de compra e ainda obter retorno positivo acima da inflação.

Entretanto, é importante compreender que o rendimento do Tesouro Selic não é fixo. Caso o Comitê de Política Monetária inicie um ciclo de cortes na taxa básica, a rentabilidade futura do título acompanhará essa redução. Assim, investidores devem acompanhar decisões de política monetária e projeções econômicas para avaliar expectativas de retorno.

Além disso, embora o risco de crédito seja considerado baixo, existem custos operacionais, como taxa de custódia cobrada pela B3 e eventuais taxas de corretagem, dependendo da instituição financeira utilizada. Esses custos devem ser considerados no cálculo da rentabilidade líquida.

O Tesouro Selic também pode desempenhar papel estratégico na diversificação da carteira. Em momentos de maior incerteza nos mercados de renda variável, títulos pós-fixados ajudam a reduzir volatilidade geral do portfólio.

Portanto, o Tesouro Selic é indicado principalmente para investidores conservadores, para objetivos de curto prazo ou para composição de reserva de emergência. Com juros em 15% ao ano, o título volta a ganhar protagonismo, mas sua adequação depende do perfil do investidor, do horizonte de tempo e da estratégia de alocação.

Entender como o Tesouro Selic funciona é passo fundamental para quem deseja investir com maior previsibilidade em um cenário de juros elevados e mudanças na política monetária.

Postagens relacionadas

1 of 595